Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

SANTO TIRSO> TRADICIONAL> RESTAURANTE ALENTEJANO “O CANSÊRAS

 

 

 

O Restaurante “O Cansêras” mora nos arredores do centro de Santo Tirso, mais precisamente no lugar de Areias, na Rua de Santiago – 347. Como bom alentejano que é, não tem só um dia de descanso semanal, mas antes dia e meio, ou seja, ao domingo à noite e segunda-feira.

 

Localizado no rés-do-chão de uma casa de habitação, sente-se o ambiente familiar e acolhedor logo a partir da entrada. A sala é pequena, com capacidade para 24 pessoas, mas lá dentro sente-se grande porque estamos em pleno Alentejo.

 

Como cada dia é um dia, as sugestões são por cada jornada 3, complementadas com umas quantas que podem ser “encomendadas” para 2.

 

Logo nas entradas, a escolha torna-se difícil, entre “quêjo” de serpa ao natural ou no forno com orégãos, saladinha de polvo com coentros assanhados, saladinha de grão com camarão com coentros assanhados, ovos mexidos com espargos selvagens, ovo de codorniz com palaio de porco alentejano, paio de porco alentejano, torresmos do rissol, azeitonas “à manêra”, chícharos à moda de Beja, orelha de coentrada, entre outras.

 

Depois seguem-se os pratos principais, que são uma verdadeira tentação à gula para fazer uma “vaquinha” de sabores ao palato. À mesa podem chegar desde açorda alentejana de bacalhau, açorda de marisco, sopas de tomate, sopas de cação, migas de pão alentejano com misto de carne da mesma origem, bacalhau à cansêras com coentros assanhados, ensopado de borrego, carne de porco alentejana, pezinhos de coentrada, arroz de bacalhau com coentros, “fêjoada” de búzios, cozido de grão no Tarro, sopa de beldroegas com queijo de cabra, gaspacho com jaquizinhos, massada de “pêxe”, cabrito alentejano e favada com presunto.

 

Para fechar, as sobremesas, todas feitas nesta casa, que vão do bolo conventual de chila com amêndoa ao pudim de pão alentejano com requeijão e amêndoa, passando pelo bolo de requeijão ao pão de rala, sem esquecer a tradicional sericaia.

 

A oferta de vinhos é, como não podia deixar de ser, composta só por vinhos alentejanos, numa garrafeira constituída por nada menos de 427 vinhos, apesar de na carta aparecerem só uns quantos. No entanto, se o desejado não tiver o privilégio de lá estar, é só pedir porque a probabilidade de estar a descansar na cave é muito grande.

 

EPICURISTA ME CONFESSO*****

 

Eis um caso sério de magnífica gastronomia, destes mestres de bem servir e receber, embaixadores diplomados da gastronomia alentejana no norte do país. Patroneado pelo bejense Chefe José Vieira da Silva, tendo como ajudante de campo sua mulher, a tirsense Susana, esta verdadeira casa de comida abriu há cerca de 10 anos, tendo vindo a construir uma história de sucesso, através do passa palavra de quem senta debaixo destas mesas as suas pernas.

 

Com uma sempre simpática e atenciosa palavra anfitriã, José Vieira da Silva é uma autentica enciclopédia de histórias e vivências da alentejana Beja, ao ponto de ter inclusivamente um record do Guiness, por ser o padrinho mais novos (39 anos) de um homem mais velho (95 anos)… É obra rara!

 

Com um sempre na ponta da língua “sem stress”, o chefe começou por nos servir uma típica “buchazinha” alentejana, composta por pão alentejano, azeitonas, queijo de serpa e paio de porco alentejano.

 

Seguiu-se o prato preferido de Susana, que com carinho José afirma ser uma “mulher que foi para Beja menina e veio para cá mulher”, as tradicionais sopas de tomate com carne temperada em massa de pimentão e enchidos da matança. A dose muito abonada, mas estava tão bem trabalhada e apetitosa, proveniente de matéria-prima familiar, que no final só sobrou mesmo a travessa de barro.

 

Para “saidêra”, uma bem inventada pelo autor mousse de chocolate branco com poejo, com um travo final digno de memória.

 

Com toda este repasto, foi preciso o socorro de um licor de maçã reineta, manufacturado em casa pelo irmão, e que muito ajudou a esta difícil mas satisfeita digestão.

 

Tudo isto foi acompanhado por um vinho branco “Clara”, de monocasta Atão Vaz, produzido pela herdade de Cortes de Cima, muito agradável e equilibrado.

 

A conta total para dois bons comensais ficou-se pelos €58,50, dignos de serem considerados um magnifico investimento na redescoberta de bons sabores alentejanos. [Entradas (€10); sopas de tomate (€29,5); mousse de chocolate branco com poejo (€3,90), Vinho Branco Cortes de Cima “Clara” (€14,5)].

 

Enfim, nota máxima para esta casa de arte gastronómica alentejana, ao melhor nível dos melhores da sua origem.

 

Apenas um conselho final, se estiver “carregado de fezes” (vulgo tiver muito que fazer) não vá, porque é preciso tempo para reinar nesta mesa, “sem stress nem cansêra”… Bem hajam!

 

[Como chegar a partir do Porto: A3 →Saída Santo Tirso →Na rotunda, saída à direita →bifurcação, seguir direcção Guimarães →Entra na estrada N105 → No semáforo, vira à esquerda, direcção Santo Tirso →Rotunda, à direita →Passar ponte dobre o Rio Ave → Rotunda, direcção Areias →na subida aparece uma placa do restaurante, virar à esquerda → andar 200 metros e chegamos ao local]

 

SITE: http://www.facebook.com/media/albums/?id=136705369681279#!/pages/Restaurante-Alentejano-O-Cans%C3%AAras/136705369681279


publicado por Epicurista Portuense às 00:54
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Antonio José Barros
Um Blog de prazeres profundos, mesmo que por vezes muito simples...


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