Sábado, 14 de Julho de 2012

PORTO> REGIONAL> TRIPAS> Adega CORREIA

 

 

 

A Adega Correia mora na Rua de Barbosa de Castro - 74, rodeada pelo Palácio da Justiça e pelo Jardim da Cordoaria. Aberta todos os dias, é ao almoço a altura de maior labuta, até porque à noite fecha cedo porque a idade já cansa.

 

De porta aberta há mais de 40 anos e quase a caminho do cinquentenário, vieram de terras de Resende os anfitriões José Correia e sua mulher Filomena. Enquanto ela patroneia com arte e sabedoria a cozinha, ele gere com humildade e atenção a sala.

 

Esta é uma casa muito típica, de decoração antiga e rústica, que deixa a quem lá entra uma imagem de um Portugal tradicional do antigamente. A sala é pequena, com pouco mais de meia dúzia de mesas, mas que fazem muito bem o seu trabalho.

 

Casa feita por pratos do dia, que vão variando conforme a vontade de D. Filomena, encontrado-se à mesa uns bolinhos de bacalhau com arroz de feijão ou ensopado de vitela banhado em boa molhenga, excepto à quinta-feira, que nesta casa é o dia da “missa” semanal, com as mais famosas tripas do nosso burgo a saírem a fumegar da cozinha rumo à mesa.

 

Mas que ninguém pense que à 5ª vai passar a tarde toda sentado à mesa, porque não havendo pressa na degustação, terminada a jornada à que dar a vez porque estão sempre muitos senhores à espera. Se alguém se esquece, o amigo José está atento à navegação, lembrando, com gentileza e cuidado, que há gente lá fora para as tripas.

 

EPICURISTA ME CONFESSO*****

 

Há tripas muito boas, mas como as trabalhadas com a arte da D. Filomena da Casa Correia não há. São superiores, apesar da matéria-prima base ser semelhante a algumas outras de excelente qualidade do nosso burgo, o produto final é caso sério de registo na memória de um “bom garfo”.

 

Sempre com três oferendas para a mesa, uma com o arroz, a outra comporta as tripas e o feijão, a que se junta ainda um outro barro com as carnes mergulhadas no molho das tripas. Depois, casam-se no mesmo prato do comensal, produzindo uma harmonia de sabores e sensações ao palato fora do comum tripeiro.  

 

A acompanhar o vinho tinto da casa, honesto mas que cai bem, e a que o tradicional jarro soma à vista mais um valor ao gosto final.

 

A conta é feita ainda à merceeiro de outras épocas, num bloco de linhas onde é escrito com alinhamento vertical o numerário de cada parcela, facilitando assim a soma final. O valor é em conta e muito barato para a satisfação do comensal: 3 bocas à mesa, que comeram dose e meia de tripas, duas jarras de vinho da casa e 3 cafés, deu 33€, ou seja, 11€ por cabeça. Para referencia, a dose de tripas, que é para duas pessoas, ronda os 13,50€.

 

Para minha tristeza, a 'gerência' já entradota já se sente cansada e resolveu postar o 'passa-se' na montra. Até la continua aberta e é aproveitar para ir degustando até ao final dos seus dias as melhores tripas do burgo, desde que a cozinheira se levante com saúde. Esta será certamente uma daquelas histórias felizes da nossa gastronomia que vai acabar com os seus protagonistas… Por isso, muita “saudinha”, porque bem precisam para largarem também essa ideia de passar tão nobre e histórico canto deste nosso burgo. Bem hajam e até 5ª!

 

Nota - Não tem multibanco, porque antigamente também não havia dessas coisas…


publicado por Epicurista Portuense às 14:28
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5 comentários:
De David Ferreira a 30 de Julho de 2012 às 21:17
Apesar de portuense de gema, a verdade é que não conhecia esta casa...!
As tripas só saem mesmo à Quinta-feira ao almoço? Não há mais nenhuma altura em que se possa lá passar para as comer?

Abraço,

David Ferreira


De Epicurista Portuense a 10 de Agosto de 2012 às 15:15
Infelizmente só há quinta-feira é que saem estas magnificas tripas. No entanto, se preferir ir la degusta-las ao jantar basta telefonar para o Sr. Correia e marcar.

Obrigado


De David Ferreira a 30 de Agosto de 2012 às 22:34
Caro Epicurista,

Tive finalmente oportunidade de degustar estas famosas tripas, e confirma-se que são efectivamente as melhores do Porto. Se tivesse que lhes apontar um defeito (o que não é fácil), diria que são demasiado "puxadas", ou pelo menos assim aconteceu com as que tive oportunidade de provar hoje.

E por falar em recomendações, este fim-de-semana vou fazer a comparação directa dos "meus" Pastéis de Tentugal do Café Central com os do Café Rocha, vamos lá ver se sai algum claro vencedor...

Cumprimentos.


De Luis Fonseca a 30 de Maio de 2014 às 18:18
Esta catedral da gastronomia fechou as portas recentemente, o que constitui uma grande perda para o património mundial da gastronomia. Mas ainda não desisti de saber se o Sr José e a Dª Filomena continuaram a fazer as inesquecíveis tripas noutro local.


De Epicurista Portuense a 1 de Junho de 2014 às 02:42
Não continuam em nenhum lado. Estiveram mais de um ano para passar o restaurante, porque as "pernas" já não aguentavam.


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Antonio José Barros
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