Quinta-feira, 29 de Março de 2012

PORTO> BAIXA> TASQUINHOS> Adega O BURAQUINHO

 

 

 

Este Buraquinho mora junto ao coração da baixa portuense, entre as afamadas Casa Guedes e a Queijaria Amaral, na Praça dos Poveiros – 33. Aberto de 2ª a Sábado, entre as 10h30 e as 20h, fecha ao domingo para descanso da família Sousa.

 

De porta aberta desde 1927, e com um nome que muito bem apadrinha a geografia desta cave em forma de buraco, esta casa familiar de gentes de Amarante vai na segunda geração e a caminho da terceira. Timoneada pelo Sr. Artur Sousa, tem como ajudante de campo atrás do balcão o filho e na cozinha a mulher D. Ana Augusta.

 

A oferta é variada, quase toda pronta a ser servida. Das papas de sarrabulho ao caldo verde, passando pelos pratinhos de bucho, chispe, língua estufada, orelheira, morcelas, tripas fritas, rojões, pernil, às sandes dos mesmos, ao lado está obrigatoriamente o vinho da pipa a acompanhar.

 

A sala é de uma típica tasquinha, com 2 mesas, 1 barra com 5 lugares sentados e um balcão corrido para gastrónomos pedestres.

 

EPICURISTA ME CONFESSO***

 

Esta é realmente uma típica tasca do antigamente, um Porto profundo, com ares de outras épocas apesar de refrescada. Os seus 85 anos estão lá, assim como a paixão por esta arte do Sr. Artur, que praticamente nasceu atrás daquele balcão.

 

Com um ambiente muito popular, onde o convívio de muitos à volta de um petisco regado com um palhete predomina, sente-se aqui o peso de um estrato de sociedade envelhecido e abandonado, que mata as mágoas nesta cave. Na meia hora que lá passei hoje, vi desde uma velhota a pedir para lhe pagarem uma sopa a um desfavorecido que comeu por conta do que vai receber no final do mês. Por isso, passar por aqui, é também uma lição de vida e de contacto com diferentes vivências.

 

Quanto à matéria-prima, comecei com umas papas de sarrabulho, seguidas de uma sandocha de lombo de porco, tudo isto acompanhado por um verde branco, que me avisaram de imediato que por ser directo da pipa não tinha gás. Se as papas estavam fantásticas, talvez das melhores que já comi, o lombo era honesto, ou então, a proximidade da Casa Guedes fez alguma mossa no meu palato. O verde proveniente de Meda, bem turvo e sem vida, era muito fraco, pelo que da próxima vez irei pelo afamado palhete da casa.

 

O investimento foi barato e ficou pelo 4€: papas de sarrabulho (1,30€), Sande de Lombo (1,90), jarrinha de verde (0,80€). No geral, as sopas rodam 1,30€, os pratinhos e as sandes entre 1,40€ e 1,90€.

 

Apesar de castiço, fica longe da qualidade de uma Casa Guedes ou da Gazela, que são verdadeiros templos à sua volta, pelo que a decisão por descer as escadas até este Buraquinho é mais difícil. Mesmo assim vale a visita “de quando em vez”, e para quem gosta de papas de sarrabulho aconselho experimentar.


publicado por Epicurista Portuense às 00:29
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Terça-feira, 27 de Março de 2012

Mais uma lição do Porto ao país... de cá só bons exemplos...

PORTO! Melhor destino Europeu de 2012... Lisboa também não ficou mal na fotografia com o 8º lugar

 

 

http://www.europeanconsumerschoice.org/travel/european-best-destination-2012/#PORTO


publicado por Epicurista Portuense às 18:32
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É já este fim-de-semana em Baião, mais uma edição da Feira do Fumeiro e do Cozido à Portuguesa

É já este fim-de-semana em Baião, mais uma edição da Feira do Fumeiro e do Cozido à Portuguesa.


publicado por Epicurista Portuense às 00:42
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Segunda-feira, 19 de Março de 2012

A cidade do Porto está em concurso, entre vinte cidades europeias, para escolher o "Melhor Destino Europeu 2012"

A votação decorre até 26 de Março, e eu já fui ao site votar no PORTO convictamente!

 

http://www.europeanconsumerschoice.org/travel/european-best-destination-2012/


publicado por Epicurista Portuense às 03:38
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PORTO> TRADICIONAL> Restaurante O BURACO

Os dois timoneiros do Buraco

 

O Restaurante Buraco mora na baixa portuense, próximo do Mercado do Bolhão, na Rua do Bolhão – 95. Aberto durante todos os dias da semana útil, ao fim-de-semana só à hora de almoço de sábado, porque o restante é reservado ao merecido descanso desta boa gente. Ao jantar não convém chegar depois das 22h30, porque há que começar a preparar o dia seguinte.

 

Esta experiente cozinha serve há mais de 40 anos os comensais cá do burgo, com qualidade e num ambiente familiar. Patroneada pelos simpáticos Sr. Manuel, no andar de cima e, na cave, pelo Sr. Francisco, mais que timoneiros deste barco são bons amigos de uma clientela fiel e dedicada, constituída por muitas famílias e grupos de amigos, que com frequência sentam as pernas debaixo destas mesas.

 

A cozinha é caseira e tradicional portuguesa, com boa matéria-prima e bem confecionada, e que vai do frango pica-no-chão às tripas à moda do porto, de uns simples panados a um arroz de pato, para além de diversas ofertas pescadas do mar como os linguadinhos ou petinga com arroz de feijão ou tomate.

 

EPICURISTA ME CONFESSO****

 

O Buraco é uma verdadeira casa de comida, caseira e familiar, que frequento desde criança. Começa logo pelo simpático e atencioso tratamento na forma de “o menino…” tanto do Sr. Francisco como do Sr. Manuel, ao facto de nunca abrir a carta, visto que basta perguntar o que temos para agradar ao nosso paladar que de pronta resposta recebemos “hoje vai comer isto…”

 

Não costumo ser cliente do almoço, porque este é um bom restaurante para se ir em família ou com amigos, com calma e sossego, pelo que prefiro a escolha pela hora de jantar. E, assim, na sexta-feira cá fiz mais uma visita e fiquei na cave, como na maior parte das vezes, mais pelo hábito do que por outra razão qualquer.

 

“O menino” seguiu a sugestão do Sr. Francisco e foi para as tripas. Até chegar o “manjar dos portuenses”, uns bons rissóis quentes acamaram o meu estomago. Chegadas as tripas à mesa, o simples apontamento de chegarem num tradicional tacho ainda abriu mais o meu apetite. As tripas estavam fantásticas, os enchidos também, e o tempero mesmo no ponto. Mais uma vez confirmam-se com umas das melhores cá do burgo.

 

Para beber escolhi, aliás tal como sempre, os vinhos da casa, que são muito honestos e suaves, começando com uma jarrinha de branco e que se seguiu a do tinto.

 

Para finalizar, trouxe o doce à minha boca através de um bolo de bolacha, que sem ser digno de memória é muito agradável.

 

Como cheguei já a queimar a hora, depois de servido tive a companhia na mesa ao lado do Sr. Francisco e do Sr. Manuel, conforme o meu registo fotográfico o confirma… :)

 

Como um dos restaurantes no Porto com melhor qualidade/serviço/preço, por aqui não se sente a crise, com as salas sempre cheias e sorridentes. O preço de cada prato anda entre os 6€ e os 7€, pelo que a refeição ronda os 10€. A minha conta não foi diferente e um jantar de família com 5 pessoas, com rissóis de entrada, as tripas, sobremesa e cafés ficou por um cálculo de cabeça que se traduziu em 11€ “por bico”.

 

Tal como sempre, um hábito a preservar e para quem não conhece uma boa descoberta a experimentar… Bem hajam!

 


publicado por Epicurista Portuense às 00:09
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Quinta-feira, 15 de Março de 2012

VINHOS> Ouvir o soar do click de um Quinta do Cotto nunca mais!

 

A minha escolha para jantar recaiu num vinho tinto da Quinta
do Cotto – 2008. Qual foi o meu espanto quando esperava eu pelo soar da rolha a
sair do gargalo e, ao invés, saiu um inaudível click… Enfim, sou português,
defendo e bebo sobretudo os vinhos portugueses, e gosto muito da tão lusitana
cortiça.

 

Não compreendo como um vinho português, do nosso Douro, que
vive numa carta a €22, pode querer poupar uns cêntimos numa rolha e saudar uma
rosca.

 

Quando cheguei a casa, ainda me dei ao trabalho de aceder ao
site da Quinta para deixar uma nota do meu desagrado. Mas o meu espanto ainda
foi maior, que em vez de esta gente meter a cabeça debaixo da terra de
vergonha, saltam uns banners para o ecrã do meu computador a querer convencer-me
das vantagens da rosca e de ser mais fácil a abertura. Como para mim beber um
vinho é um acto de cultura e de saudação ao palato, abrir uma garrafa é um acto
de celebração e não de despacho. Acresce a isto tudo, estamos a falar de uma
matéria-prima de preço médio e não de um vinho corrente.

 

É de muito mau gosto, não merece ser aberto e, portanto, só
me lembra dizer: Não Hajam!

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publicado por Epicurista Portuense às 00:23
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Sexta-feira, 9 de Março de 2012

PORTO> RESTAURANTE PORTUCALE


O Restaurante Portucale mora na Rua da Alegria – 598, no 13º andar, num edifício conhecido por Cooperativa dos Pedreiros. Aberto todos os dias, é aconselhável ao jantar chegar antes das 22h30, no caso a mesa não esteja antecipadamente reservada.

Se uma casa de comida viver em tão elevado andar é pouco comum no nosso país, o facto de se localizar numa das zonas mais altas da cidade, permite uma vista panorâmica única sobre a cidade do Porto e Vila Nova de Gaia

A caminho dos 43 anos, mantém intocável o legado deixado por Ernesto de Azevedo, a alma do Portucale durante gerações. O interior é marcado por uma época, com um envolvimento de madeiras e alcatifas, com cadeiras tipo poltronas e candeeiros privativos em cada mesa, numa harmonia que em conjunto com a vidraça transmite um verdadeiro sentimento de requinte glamour de outras épocas, infelizmente cada vez mais perdido na actualidade.

A lista é generosa e diversificada, dividida entre Entradas, Sopas, Pratos de Ovos, Peixes, Carnes, Grelhados, Legumes, Saladas e Sugestões da Cozinha (Portuguesa e Internacional). Nas Entradas encontramos uma Concha de gambas gratinada, Corações de alcachofras com toucinho fumado, Crepes de camarão, Mil folhas de foie gras com trufas... Nas sopas, a de tomate com ovo escalfado, o Gaspacho andaluz…. Nos Peixes, o Bacalhau à marinheiro, o Cherne à mordomo, os Lombos de pescada à moda do chefe… Nas Carnes, o Cabrito estufado à serrana, o Magret de pato com molho de cebola e framboesa, o Bife à Portucale, a Perdiz estufada com castanhas, a Galinha do mato assada com castanhas, o Lombo de boi flamejado, as famosas tripas à moda do Porto… Os Doces e Queijos são vários e passeiam-se de carrinho pela sala.

A carta de vinhos é muito boa, extensa, mas também equilibrada.

EPICURISTA ME CONFESSO*****
Chegado ao 13º andar, abriu-me a porta o chefe de sala, impecavelmente vestido, aliás como a restante tripulação de sala, todos com fatos que parecem feitos à medida, azuis com riscas.

Sentado na poltrona, não sei se pela altitude e vista superior sobre o burgo, é transmitido um sentimento de liberdade e libertação que parece levar à abstração do mundo quotidiano.

Como abertura e para ir entretendo a boca, veio pão (aquecido), tostas, manteigas, bolinhos de bacalhau e croquetes, azeitonas, bola de carne e um pratinho com um chouriço com um toque de pimenta.

Depois, abri com um Gaspacho Andaluz, que à calda de vegetais muito bem trabalhada na cozinha, o comensal adiciona a seu gosto o pimento, tomate, pepino e croûtons.

Seguiu-se um Bife Tártaro com Whisky, confecionado à minha frente pelo empregado de sala, com manifesta arte e sabedoria, que antes de me ser servido foi levado à prova do mestre da cozinha. Volvido da prova, recebeu um pouco mais de pimenta e pronto. A acompanhar as tostas, feitas na hora. O Tártaro estava fantástico, um dos melhores que degustei até hoje, ao ponto de nem sequer ter sido preciso proceder a ajustes ao meu gosto com qualquer dos ingrediente que encontravam a rodear o prato.

Provei também o Chateaubriand com molho de cogumelos, acompanhado por umas batatas e legumes, que estava fabuloso. A carne em sangue de grande qualidade assim como o molho de cogumelos muito bem condimentado. Saliento ainda o apontamento de os cogumelos ficarem num carrinho na sala, sempre quentes e disponíveis durante a refeição, prontos a saciarem a vontade do comensal.

Não consegui fechar a refeição com queijos ou doces, porque apesar de o Portucale ser um restaurante de luxo, o espirito gastronómico não é minimalista, pelo que as dosagens também não.

A conta foi ambiciosa, mas confesso que não me arrependi de qualquer dos euros que investi, porque este tipo de requinte à mesa cada vez é mais raro, a envolvência é soberba, o serviço exemplar e de grande profissionalismo, ao que se soma uma gastronomia de grande qualidade. O jantar para duas pessoas ficou por €87,50: couvert (7€), Gaspacho Andaluz (€5), Bife Tártaro com Whisky (€24), Chateaubriand com cogumelos (€23,50), Quinta do Cotto – Tinto – 2008 (€22), Agua (3€), Cafés (€3).

Considero esta relíquia da gastronomia portuense uma autêntica joia da coroa. Uma verdadeira casa de comida e montra sobre a cidade, que recomendo e acho fundamental fazer parte da nossa história pessoal e de vivências, tendo-se obviamente possibilidade para isso. Espero que nunca caiam numa tendência de modernização do espaço, porque o que está bem e é intemporal não precisa de mudanças.

Bem-haja e obrigado pela grande felicidade que me proporcionou durante mais de 2 horas… Sem hesitação, nota máxima!

SITE: http://www.miradouro-portucale.com/


publicado por Epicurista Portuense às 13:45
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Domingo, 4 de Março de 2012

PORTO> FRANCESINHAS> BUFETE FASE



O Bufete Fase mora nas imediações da Praça do Marquês, na Rua Santa Catarina – 1143. Aberto de segunda a sábado, entre o meio-dia e as 21h30, e com uma pausa entre as 16h e as 18h para descanso das máquinas.
Casa muita afamada cá no burgo entre os fiéis comensais da francesinha, recheada de prémios e menções honrosas, tem construído ao longo de quase 30 anos o seu bom nome na praça, não caindo na tentação de passar do artesanal para o industrial.

A sala tem cerca de 5 mesas e um pequeno balcão onde algumas pessoas se atrevem de pé a degustar a sua francesinha, tem atrás do balcão o seu mestre José Pinto, que trabalha com habitual arte e gosto, porque o produto final não é feito de excesso de pressas. Na sala, a filha, sempre atenciosa e simpática, chega para as encomendas.

EPICURISTA ME CONFESSO****
Não arrisco a ir a este bufete que não seja fora do horário habitual de refeição. No meu caso, o ideal é sentar as pernas debaixo destas mesas por volta das 14h, porque é a forma de chegar, ver e vencer. Nas horas de ponta, é estar com paciência para esperar, que confesso não tenho nenhuma.

Quanto à Francesinha, justiça lhe faz a fama que tem, porque é realmente um dos melhores exemplares que o Porto leva até à mesa. O molho, normal ou picante, é muito bom, mas a minha preferência vai mesmo para a versão mais apetitosa. A matéria-prima é seguramente de grande qualidade, e o produto final tem alguns apontamentos interessantes como, por exemplo, o pão ser torrado e depois barrado com manteiga, antes de ensanduichado.  

Na minha apreciação, só não dou nota máxima porque acho uma falha grave, em casa tão tradicional e de boa matéria-prima, a opção pelas batatas congeladas de saco. Quanto a mim o único aspecto a mudar.

Quanto à conta, honesta. Uma Francesinha, um fino e um café e o valor andou pelos €12.
Portanto, mais uma grande Casa de Comida do Porto, obrigatória no roteiro de qualquer apreciador de francesinha. Bem haja!


publicado por Epicurista Portuense às 23:14
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Antonio José Barros
Um Blog de prazeres profundos, mesmo que por vezes muito simples...


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