Domingo, 23 de Novembro de 2014

MATOSINHOS > RESTAURANTES > Cervejaria-Marisqueira MAJARA

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A cervejaria marisqueira Majara mora há muitos anos na Rua Roberto Ivens n.º 603, em Matosinhos. De porta aberta aos comensais diariamente entre a hora de almoço e a “fora de horas” uma da manhã, excepto à quarta-feira, ou ao balcão ou à mesa, estão sempre de boa cara para nos receberem.

 

O Majara é uma das mais antigas marisqueiras de Matosinhos, um clássico com mais de 40 anos, que para além da grande qualidade da matéria-prima, faz também escola na arte de bem servir da sua equipa.

 

Para além da sua afamada qualidade de marisco, o bom peixe que chega à lota de Matosinhos é "pescado" até à cozinha desta casa. Os bifes também têm muitos seguidores, assim como a Francesinha, que foi trazida até cá por um antigo “artesão” da Regaleira.

 

CONFESSIONÁRIO*****

 

Esta é na minha opinião uma das melhores cervejarias-mariqueiras do nosso burgo. Com um atendimento muito bom, sempre atento, daqueles que não é quase necessário pedir que a equipa já trouxe o que precisamos.

 

Habito com alguma frequência esta casa de comida, sempre que a gula se lembra de ter vontade de comer uns “bichinhos vermelhos de mar com bigodes”. Não tenho grande experiencia noutras versões comensais por aqui, mas sobre o que me faz vir ao Majara posso classificar de excelente.

 

Quando vou sozinho convivo com o balcão, ou com companhia à mesa, começo com umas miritas (pão torrado em finas fatias), um pratinho de verdadeiras batatas fritas e uma fantastica cerveja servida em copo baixo (é preciso pedir senão vem num vulgar copo de “fino”), a acompanhar umas gambas ou camarão da costa. A maionese caseira é de grande qualidade, pelo que "vastas" vezes a boa “asneira” de barrar na mirita ou na batata frita. Para fechar, vêm os fabulosos pregos em pão da casa, que se comem até com os lábios.

 

Para quem ainda quiser entrar pelos “postres”, os crepes são um bom pedido.

 

A conta do meu repasto de ontem – miritas, batatas fritas (€2,50),  prego no pão (€7), 2 copos de cerveja e umas gambas – ficou um pouco acima dos €20, o que foi um bom investimento e me trouxe momentos de grande satisfação à mesa.

 

Enfim, para esta “faena” cá na invicta, esta é a minha escolha. Bem hajam!


publicado por Epicurista Portuense às 16:56
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Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2013

PORTO > BAIXA > TASQUINHO > Casa de pregos VENHAM MAIS 5

 

A casa dos pregos Venham Mais 5 mora na Rua de Santo Ildefonso - 219, mesmo a chegar à Praça dos Poveiros. A porta está aberta todos os dias, desde o almoço até às 23h.

 

Este espaço está muito bem conseguido, sendo dividido por três áreas diferentes: a da entrada com um balcão, a que se junta uma sala ao fundo e uma esplanada no exterior.

 

Quanto à oferta gastronómica, acredito que tenha várias alternativas, mas confesso que só fiquei a conhecer os pregos e a sobremesa da casa, e também não vi mais nada a sair enquanto estive por lá.

 

EPICURISTA ME CONFESSO****

 

Apesar de ter uma história curta, não mais que meio ano, já tinha ouvido falar por diversas vezes dos pregos “perto do Guedes”. Este sábado à tarde, estava a caminho do Majára para comer um preguinho, mas acabei por dar meia volta e lá fui eu até à baixa.

 

Descobri com facilidade este “moderno tasquinho”, e fiquei logo bem disposto - sou um admirador de “barras” - porque mal entrei apareceu-me um balcão a dar as boas vindas. Mal atraquei, um simpático e atencioso senhor, que depois vim a saber ser o “patrão”, Luís Rodrigues, fez as honras da casa.

 

Pedi o já muito falado prego de lombo com queijo da serra (3,50€). O queijo não é serra, mas um amanteigado tipo serra, o que para ser comido com esta carninha do boi até casa melhor, porque é menos encorpado que o original. A matéria-prima foi trabalhada como gosto, sendo atirada para uma chapa bem quente e, depois,  como se diz na nossa invicta, “bota e vira”, dando ao comensal o “bicho” grelhado por fora e em sangue por dentro. O produto final é realmente muito bom, quer ao palato como a vista, que também come...

 

A acompanhar bebi um magnifico fino da catalã Estrella Damm, muito fresca e viva, que deu num casamento muito feliz.

 

Para terminar comi o bolo da casa de chocolate (2,10€), muito “molhadinho” e lambareiro

 

A conta é muito honesta, valendo o prego (3,5€) e o bolo de chocolate (2,10€).

 

Enfim, partindo de uma fórmula aparentemente fácil, um bom prego acompanhado por uma boa cerveja, este é já um caso de sucesso que vale a pena “usar e abusar”, nem que seja entre faustosos repastos... Bem hajam!


publicado por Epicurista Portuense às 01:27
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Domingo, 9 de Junho de 2013

MADRID> CENTRO> Bodega LA ARDOSA

 

 

 

A La Ardosa mora uns quarteirões acima da cosmopolita e central Gran Via, na Calle de Colón – 13. Não tem dia para fecho, mantendo a porta aberta diariamente das 8h30 as 2h.

 

Inaugurada em 1892 por um visionário proprietário vinícola da Toledo, que montou uma série de tabernas em Madrid para vender o seu vinho a granel. Esta foi a mais antiga e remanescente dessa época, que  tem sabido ao longo de mais de um século escrever a sua história. Na década de 70 fez uma incursão pelas cervejas, sendo inclusivamente pioneira na importação em Espanha de cervejas como a Guiness e a Pilsner Urquell, que foi a primeira cerveja rubia do mundo, que continuam a correr pelas “bocas” desta casa.

 

Esta bodega legendária, a sétima mais antiga de Madrid, é um símbolo de reconhecimento das suas gentes, continuando diariamente a transbordar de gente, que não arreda pé até chegar a sua vez, seja ao balcão, de pé, ou na meia dúzia de mesas deste espaço. O serviço é jovem e simpático.

 

 

EPICURISTA ME CONFESSO****

 

Chegados a esta bodega, a movimentação ao rubro, com muito ambiente e boa disposição, e um sentimento qb de estarmos mais uma vez a fazer parte da história, e daquelas que não são efémeras mas que atravessam gerações.

 

E enquanto esperávamos para assentar arrais, começamos por um afamado vermute de grifo, considerado um dos melhores de Madrid. E não sendo um apreciador nem conhecedor deste modo, sem dúvida que se destaca positivamente dos demais que já experimentei. Aliás, nesta jornada só troquei este lote na abaladiça, em que fechamos em beleza com a por esta banda famosa rubia Pilsner Urquell...

 

Já à volta da mesa alta, e entre a vasta e diversificada oferta existente, seguimos o caminhos das tapas. Assim sendo, chegou uma fantástica tortilha de batata, reconhecida e premiada em concursos locais  como a melhor. Sem dúvida muito bem feita. Veio também um misto de croquetes – rabo touro, bacalhau, queijo cabrales e presunto – muito bons. Picamos uma fresca salada russa. fresca e Como os vermutes estavam a cair muito bem e para não ficarem órfãos, ainda pedimos umas tapas de mojama (atum seco), bem bebedoras.

 

Não sendo no final uma casa de tapas barata, para Madrid e tendo em conta o bom momento por aqui passado, a relação é em conta: 6 croquetas – 9,95€, tortilla – 2,65€, salada russa – 6,95€, mojama – 2,35€, vermute – 2€. Os platos caseros andam por volta dos 12-13€.

 

Enfim, grande noite à volta da mesa, em mais uma histórica bodega, com volta certamente marcada em futura jornada madrilena. Como dizem nuestros hermanos: Precioso!

 

SITE: www.laardosa.com


publicado por Epicurista Portuense às 01:20
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MADRID> PUERTA DEL SOL> Bodega LA VENECIA

 

 

 

A La Venecia mora perto da turística Puerta del Sol, na Calla Echegaray - 7. De porta aberta diariamente excepto ao domingo, recebe os seus anciãos entre as 13h-15h3o e das 19h-1h30.

 

Esta vinateria histórica de Madrid, quase centenária (1922!), mantém saudosamente a sua traça de outra época, com a luz fusca sobre a mesma pintura de sempre, envolvidas por velhíssimas cubas e cartazes intemporais das célebres Ferias de Jerez, que transmitem uma verdadeira autenticidade  na cultura do Jerez.

 

O mestre desta casa, sempre concentrado no seu ofício, e nos seus clientes de sempre, teima em manter bem viva a tradição, pelo que aceita bem “forasteiros” que venham para apreciar a sua vivencia e os seus vinhos, mas faz má cara quando entram “estrangeiros” que vão por turismo. E neste sentido, fotografias não são bem vindas, porque isso é maneio comum a quem quer mais mostrar do que apreciar.

 

EPICURISTA ME CONFESSO*****

 

Esta é uma bodega no sentido completo da palavra. Maior originalidade não existe, e como gosto muito deste viño fino de jerez, também conhecido por sherry, em qualquer passagem por Madrid é obrigatório assentar arrais nesta mítica casa.

 

Aqui bebe-se, com intensidade e sacralidade, todo o tipo de vino de Jerez, finos e manzanillas, olorosos e amontillados, pelo que o melhor é ir pedindo copo seguido de copo, e descobrir a que lote se alinha mais o nosso palato.

 

Ideal para um fim de tarde ou de entrada antes de ir jantar, a acompanhar esta jornada vínica andaluza, juntou-se umas azeitonas e mojama, que é um atum seco envolvido por um fio de azeite, que é para mim uma das grandes tapas de acompanhamento de vinho.

 

A conta, que vai sendo apontada a giz no velho balcão de madeira, é em conta, valendo cada copo de Jerez – 1,70€ e a garrafa – 11€, o tapa de mojama – 2,30€, de queijo manchego – 2,30€, e as azeitonas oferecidas aos bebedores.

 

Enfim, singular e profundamente genuíno, pelo que encostar a esta barra ou sentar naquelas madeiras antigas é “missa” obrigatória por terras de Madrid, sentida sempre como um magnifico investimento neste tipo de cultura. Memorável e Imperdível!


publicado por Epicurista Portuense às 01:19
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Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

PORTO> TASQUINHO> Adega Regional da Areosa

 

 

A Adega Regional da Areosa mora no Largo Heróis da Pátria - 31, mesmo atrás da rotunda da que lhe dá o nome. Para dar com ela, é só virar na primeira à direita depois da rotunda e depois voltar de novo na seguinte à direita e estamos em frente aos bombeiros. Aqui é só olhar duas ou três portas abaixo e cá estamos.

 

Feita de gente de trabalho, mantém a porta aberta todos os dias, desde as 7 da matina até bater as 8 da noite.

 

Esta adega está repartida por duas salas, onde a da entrada é percorrida por um longo balcão com duas cubas em inox em forma de sentinelas em cada lado e, por trás, uma comum sala de repasto.

 

A oferta é alargada e eclética nos petiscos, só variando das comuns “adversárias” a qualidade da matéria trazida até ao comensal e no homem que a patroneia.

 

EPICURISTA ME CONFESSO****

 

Tal como na maior parte das boas casas de comida do género, o balcão bate aos pontos a sala, quer nos interlocutores como também na arte de “falar” com a matéria-prima. Por isso, é mesmo ficar logo pelo “balneário” e esquecer a tentação de sentar as pernas debaixo da mesa.

 

E neste caso sério de comida petisqueira, abrimos as hostilidades com uma caneca de um grande verde tinto da pipa. Para não o deixar poisar sozinho, veio para o balcão um prato de presunto com dois ovos estrelados para cada comensal, com um pão de daqueles que até sozinho faz a alegria do palato.

 

A esta primeirinha, juntamos umas febras de porco preto cozinhadas no ponto, que não deixou de voltar a pedir aquele pão a acompanhar.

 

Para que não ficássemos pelos “pratos” de carne, jogamos também nuns bolinhos de bacalhau que estavam como se diz “de trás da orelha”.

 

Para fechar em beleza, um queijo da serra, daqueles que escorre mesmo quando está quieto, com uma marmelada bem gulosa a fazer o contraponto.

 

A conta dignifica o fastio, não ficando fora de mão: caneca de verde tinto (2,4€), prato de presunto com ovos estrelados (5€), sande de presunto (2,10€), febras de porco preto (3,90€), queijo da serra com marmelada (4 e tal€),...

 

Enfim, surpresa soberba e digníssima de visita por bons comensais, com um simpático apontamento extra: está completamente fora dos roteiros dos comuns mortais, só frequentada pelo Porto profundo... Um grande bem haja!


publicado por Epicurista Portuense às 01:02
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Segunda-feira, 30 de Julho de 2012

PORTO> RESTAURANTES> Confeitaria/Snack-Bar CUNHA

 

 

A Confeitaria/Restaurante/Snack-Bar Cunha mora próxima do coração da baixa portuense, na Rua Sá da Bandeira – 676. De porta aberta todos os dias, serve os seus comensais ininterruptamente das 8 da matina às 2h da madrugada.

 

Fundada por Teixeira Bonito, esta casa faz história na cidade há mais de 50 anos, mantendo ainda uma decoração que marcou uma época, constituída por um enorme balcão em zig-zag e por mesas em forma de recantos privativos e rodeados por sofás à sua volta.

 

Com uma carta diversificada e eclética, satisfaz todos os gostos e preferências, desde um buffet diário às escolhas à “la carte”. Na oferta aos comensais podemos encontrar filetes de pescada ou de polvo, maioneses de pescada ou gambas, arroz de tamboril, carapaus grelhado com molho verde, tripas, cabrito assado, cozido à portuguesa, feijoada à brasileira, à tradicional francesinha.

 

No lado da confeitaria, a arte de bem trabalhar a pastelaria está lá, sendo muito concorrido o pão-de-ló e o bolo rei.

 

Se não encontrar lugar à porta, o estacionamento é gratuito no Parque Silo Auto ou na vizinha Garagem Sá da Bandeira.

 

EPICURISTA ME CONFESSO****

 

Aprecie-se mais ou menos o género, este é um local incontornável da cidade do Porto e de, pelo menos, conhecimento obrigatório para um bom “tripeiro”.

 

Sentado à mesa, parece que andamos uns bons anos para trás, e vamos buscar, com saudosismo, imagens na nossa memória de convívios naquela mesma sala com avós e bisavós.

 

Durante muitos anos foram raras as vezes que fui à Cunha, mas confesso que nas últimas semanas voltei a frequentar, com regularidade, aquele nobre balcão e singulares mesas. A razão é simples, acontece muitas vezes ter de satisfazer o meu bom fastio fora das costumeiras horas e esta casa de comida é uma óptima opção, mesmo das melhores da cidade, com um preço/qualidade justíssimo.

 

Não sou muito fã de buffets, mas dentro do género, e para quem se gosta de bater como um leão, este é de oferta alargada e muito honesto, até no preço (13,50€). A maionese de pescada com gambas muito bem confecionada e até um fresco robalinho grelhado bem mareado. A francesinha (9€) não é memorável, mas cumpre o seu papel na invicta. Os gelados muito bons e um regalo também à vista. A sangria não é de “estalo” mas bebe-se bem (2,7€).Os pratos do dia são muito em conta, tendo como valor de referência uns simpáticos 5€. Para além deste modo, a factura também não assusta, ficando em média por 15€, como comprova o meu último repasto - para duas pessoas – que somou  uns bem dados 32€: entradas (rissóis) – 2,95€, maioneses de pescada – 9,90€, robalinho grelhado – 9€, gelado surf – 5,20€, café e água.

 

Enfim, redescobri com satisfação esta incontornável casa de comida portuense. Gosto do ambiente informal mas com uma envolvência de outros tempos, porque me faz navegar em boas memórias. Aprecio sentar-me à mesa à hora que me apetece e não ter de olhar para o relógio. Agrada-me espaços com barras à antiga, com servidores experientes e sempre atentos aos comensais atrás do balcão. Sinto-me bem quando o que pago é justo para o prazer que proporciono à minha gula. Por tudo isto, vou ao Snack-Bar da Cunha. Bem hajam!

 

SITE: http://www.confeitariacunha.com


publicado por Epicurista Portuense às 00:27
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Quinta-feira, 29 de Março de 2012

PORTO> BAIXA> TASQUINHOS> Adega O BURAQUINHO

 

 

 

Este Buraquinho mora junto ao coração da baixa portuense, entre as afamadas Casa Guedes e a Queijaria Amaral, na Praça dos Poveiros – 33. Aberto de 2ª a Sábado, entre as 10h30 e as 20h, fecha ao domingo para descanso da família Sousa.

 

De porta aberta desde 1927, e com um nome que muito bem apadrinha a geografia desta cave em forma de buraco, esta casa familiar de gentes de Amarante vai na segunda geração e a caminho da terceira. Timoneada pelo Sr. Artur Sousa, tem como ajudante de campo atrás do balcão o filho e na cozinha a mulher D. Ana Augusta.

 

A oferta é variada, quase toda pronta a ser servida. Das papas de sarrabulho ao caldo verde, passando pelos pratinhos de bucho, chispe, língua estufada, orelheira, morcelas, tripas fritas, rojões, pernil, às sandes dos mesmos, ao lado está obrigatoriamente o vinho da pipa a acompanhar.

 

A sala é de uma típica tasquinha, com 2 mesas, 1 barra com 5 lugares sentados e um balcão corrido para gastrónomos pedestres.

 

EPICURISTA ME CONFESSO***

 

Esta é realmente uma típica tasca do antigamente, um Porto profundo, com ares de outras épocas apesar de refrescada. Os seus 85 anos estão lá, assim como a paixão por esta arte do Sr. Artur, que praticamente nasceu atrás daquele balcão.

 

Com um ambiente muito popular, onde o convívio de muitos à volta de um petisco regado com um palhete predomina, sente-se aqui o peso de um estrato de sociedade envelhecido e abandonado, que mata as mágoas nesta cave. Na meia hora que lá passei hoje, vi desde uma velhota a pedir para lhe pagarem uma sopa a um desfavorecido que comeu por conta do que vai receber no final do mês. Por isso, passar por aqui, é também uma lição de vida e de contacto com diferentes vivências.

 

Quanto à matéria-prima, comecei com umas papas de sarrabulho, seguidas de uma sandocha de lombo de porco, tudo isto acompanhado por um verde branco, que me avisaram de imediato que por ser directo da pipa não tinha gás. Se as papas estavam fantásticas, talvez das melhores que já comi, o lombo era honesto, ou então, a proximidade da Casa Guedes fez alguma mossa no meu palato. O verde proveniente de Meda, bem turvo e sem vida, era muito fraco, pelo que da próxima vez irei pelo afamado palhete da casa.

 

O investimento foi barato e ficou pelo 4€: papas de sarrabulho (1,30€), Sande de Lombo (1,90), jarrinha de verde (0,80€). No geral, as sopas rodam 1,30€, os pratinhos e as sandes entre 1,40€ e 1,90€.

 

Apesar de castiço, fica longe da qualidade de uma Casa Guedes ou da Gazela, que são verdadeiros templos à sua volta, pelo que a decisão por descer as escadas até este Buraquinho é mais difícil. Mesmo assim vale a visita “de quando em vez”, e para quem gosta de papas de sarrabulho aconselho experimentar.


publicado por Epicurista Portuense às 00:29
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Sábado, 18 de Fevereiro de 2012

PORTO> BAIXA> CACHORRINHOS> Cervejaria GAZELA




A Cervejaria Gazela mora há mais de 50 anos na Batalha, mesmo ao lado do Teatro São João, na primeira casa da Travessa do Cimo da Vila – 4. Aberto todos os dias da semana, do meio-dia até às 22h30, tem o justo descanso ao fim-de-semana.

Com uma barra de cerca de 20 lugares a toda a volta do altar de trabalho dos seus sábios artesões, não existe mesas neste espaço, apenas mais uma prateleira de fora, que dá apoio a quem em pé vai satisfazendo a gula.

Quem aqui se senta, não precisa de cardápio, porque já sabe para o que vai. O rei da casa é o conhecido Cachorrinho da Batalha, que pode ser complementado com um prego no pão, ou para os que não dispensam à refeição a faca e garfo, o prego em prato.

A Gazela apesar de típica é muito conhecida entre os portuenses, tendo entre os fiéis gente eclética e de todas as idades. À hora de almoço e jantar a casa cheia é a quem mais ordena, mas como quem lá vai é para comer e dar a vez, a espera por o valioso lugar na barra é breve. No resto do dia nunca está às moscas, mas a pressão sobre a produção amaina, e o balcão descansa de tanto entra e sai.

EPICURO ME CONFESSO*****

Gosto de ir à Gazela fora das horas de ponta, o que aconteceu mais uma vez na minha última visita. Cheguei cerca das 15h, e à volta do balcão estavam cerca de 10 pessoas. Perfeito para começar com enorme satisfação esta jornada de degustação.

Ao serviço estavam 2 dos 5 intervenientes que esta casa tem a rodar entre si, que davam conta de todo o trabalho. O senhor Américo, um dos sócios, com mais de 40 anos atrás deste balcão, foi o meu interlocutor.

Pedi um tradicional 1+1, que mais não é que quando sair o primeiro cachorrinho o segundo já esta a caminho, e assim quando terminar o de abertura não é preciso esperar pelo outro porque ele já esta a caminho da barra.

Enquanto ansiosamente esperava pelos “bichinhos”, pedi um príncipe, sempre a estalarem de frescos e com gola de espuma bem desenhada.

Para fechar, pedi um prego em pão, outra das propostas seguras desta casa.

A conta é sempre em conta, e dois cachorros (2,80€ cada), um prego em pão (2,80€) e um príncipe (1,30€) ficaram por uns bem gastos 9,70€.

Estes célebres cachorrinhos da Batalha, que tal como as boas Francesinha, são também já um símbolo da gastronomia portuense.

E vir à Gazela é sempre um acontecimento de boa memória. É que para além dos célebres cachorrinhos, é importante lembrar que para esta barra saem também um dos melhores finos do burgo. Esta combinação é claramente vencedora, pelo que na nossa memória fica sempre registado o “v” de volta… e de preferência rápida…


publicado por Epicurista Portuense às 15:20
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Sábado, 11 de Fevereiro de 2012

PORTO> BAIXA> TASQUINHOS> Casa Guedes




O Snack-Bar Guedes, mais conhecido por Casa Guedes mora na Praça dos Poveiros - 130, em plena Baixa.
O Guedes foi tomado pelos irmãos Correia de Baião, César e Manuel ao balcão e suas mulheres na cozinha, há 23 anos, mantendo esta casa de grande tradição cá do burgo, de frequência eclética na idade e interclassista nos ofícios.

O espaço é pequeno mas acolhedor, com quatro mesas e cinco lugares na barra, mais o “santuário” que alberga o pernil em cima do balcão.
Os Correia oferecem aos seus comensais diversas sensações divinas ao paladar, como a suas conhecidas Sandes de Pernil, sandes de porco preto e um queijo da serra exclusivo da casa, para além de refeições diárias ao almoço, feitas à moda antiga, como o arroz de cabidela, vitela assada, bacalhau à braga ou à Gomes de Sá.

EPICURO ME CONFESSO****
Tinha pouco tempo para almoçar, não mais que meia-hora, pelo que decidi por uma passagem pela “Guedes”, sempre local de boa memória qualquer hora do dia.
Cheguei com pouca fome, mas no final do primeiro round com a sandes de pernil, que a mastiguei mais com os lábios do que com os dentes, a gula venceu o estômago e tive de lhe dar mais trabalho.

O pernil óptimo, muito tenro e apetitoso, com picante no ponto, a sair por fora de um pão de mistura aquecido. Antes de ser emparelhado, um apontamento digno de referência, o de passar ainda pelo molho.

A acompanhar um verde da casa, proveniente de Baião, leve com 10,5% e cor ainda turva. Pedi um copo, mas deixou-me também a garrafa. Quando pedi o segundo, disse-me simpaticamente que “faça o favor de se servir que vai ver que até lhe sabe melhor”… E soube mesmo.

Para terminar em beleza, outro clássico da “Guedes”, o queijo com doce de abóbora feito lá, que é como se diz “de comer e chorar por mais”. O queijo pode ser da serra, que orgulhosamente refere “Fabrico Especial para a Casa Guedes – Celorico da Beira” ou mais mundano o que Quinta de Arcas.
A registadora à antiga, processo uns justos 10,60€, por 2 sandes de pernil (2,50€ cada), 2 flutes de vinho verde da casa (1€ cada), o queijo de Arcas com doce de abóbora (3€) e um café (0,60€).

Enfim, tudo o que deixa boa memória deve ser recordado, pelo que a próxima visita a esta verdadeira Casa de Comida deve ser muito em breve…


publicado por Epicurista Portuense às 18:15
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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

PORTO> TRIPAS> Restaurante REGALEIRA




O restaurante Regaleira habita no centro da baixa, mais concretamente na Rua do Bonjardim – 87. Está aberta todos os dias, excepto ao Sábado.
Desde que nasci que lá vou, por isso sinto-me da casa e assim sou tratado por todos os amigos que trabalham lá. Esta fotografia descobria aqui no meu arquivo fotográfico de família, e é de um grupo de amigos do meu avô, que durante décadas semanalmente se reunião nesta verdadeira casa de comida portuense.
Aberta em 1933, está próxima de celebrar 80 anos de porta aberta. A arquitectura interior, fiel ao passar do tempo desde 1952, tem a curiosidade de ter sido criada por jovem arquitecto portuense da altura, Alfredo Coelho de Magalhães, que em 1980 foi eleito presidente da Câmara Municipal do Porto.
É um clássico portuense, que marca a história da gastronomia do nosso burgo, que mantém ao leme o senhor Augusto e o senhor Manuel há décadas.
Nos nossos dias, a principal referencia pelo que este restaurante é citado advém de ter sido a fundadora da nossa portuense Francesinha, construída em 1952 por um empregado da casa chamado Daniel, e que este ano se tornou sexagenária.
Por considerar que a Regaleira é muito mais do que a Francesinha, hoje escrevo sobre as suas Tripas à Moda do Porto, ficando para próxima visita a escrita sobre a Francesinha.
EPICURO ME CONFESSO****
Esta é uma casa conservadora, eu diria mesmo saudosista, com um serviço experiente e uma clientela fiel. Com uma sala grande e um balcão comprido, quando se passa a porta parece que recuamos umas décadas no tempo.
A carta é abonada, e a matéria-prima de qualidade e sem grandes criatividades, a um preço justo e equilibrado.
Tem um fino, que deve ser pedido para servirem em copo baixo, muito bom, e que para quem ande com sede ao final da tarde na baixa portuense, merece também uma paragem no balcão, e se a fome apertar a acompanhar com um prego em pão de grande qualidade, daqueles que se comem com os lábios.
Às quartas-feiras é dia de tripas à moda do Porto e, por isso, foi hoje o meu almoço e, como eu gosto, sentado naquela barra à antiga, muito bem patroneada pelo Alberto. Ao meu paladar estão certamente entre as de minha preferência cá pelo nosso burgo, pelo que aconselho a sua escolha. Uma nota castiça, quando pedi picante, em vez do usual liquido serviram-me um pires com sementes de piri-piri, e a parceria foi claramente vencedora.
No final a conta ficou-se pelos 7,40€, divididos pelas tripas (5,50€), fino (1,20€) e café (0,70€). À mesa fica um pouco mais caro, mas à mesma muito em conta.


publicado por Epicurista Portuense às 00:34
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

PORTO> FRANCESINHA> Restaurante-Marisqueira GAMBAMAR


O Restaurante-Marisqueira Gambamar mora na Rua do Campo Alegre – 110. Com mais de 35 anos de actividade, está aberto todos os dias das 12h até perto das 2h.

Mantém uma traça tradicional, não entrando em grandes modernidades, mas continua com uma sala confortável, pouco barulhenta e uma barra de meter inveja a muito boa casa. Com um ambiente privilegiado e acolhedor, é muito frequentado por empresários e políticos, mas também ponto de encontro de forças vivas do nosso burgo.

A matéria-prima é de primeira qualidade e a cozinha e o snack experiente. Os mariscos de primeira água. A carta diária curta, com muito poucas alterações ao longo do ano, a um preço equilibrado.

EPICURO ME CONFESSO***

Vou com regularidade ao Gambamar, mas Francesinha é escolha rara por esta paragem. Normalmente sigo por um seguro Bife à Russa e ao sábado pelas tripas.

Mas como estava num registo de Francesinhas, aí veio ela com um prato de batatas frias a acompanhar. Não posso dizer que fiquei desiludido, porque ilusão não a tinha criado antecipadamente. O molho é soft, bom para quem se quer iniciar a esta modinha, mas curto de boca para consagrados. O bife em vez da carne assada, ao meu paladar não ajuda, muito menos muito passado como estava. O equilíbrio de sabores do produto final é honesto, mas a gula pede mais.

O fino bom, sem ser memorável.

Francesinha (9,80€), batata frita (1,60€), 2 finos em copo baixo (2,60€) e café (0,90€), e a conta ficou por 15€.

O Gambamar continua no meu roteiro, mas não para degustar uma Francesinha. Bom local para um almoço de trabalho e óptimo escolha para uma refeição solitária ao balcão.


publicado por Epicurista Portuense às 12:10
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Sábado, 14 de Janeiro de 2012

BARCELONA> BARCELONETA> Cervesaria VASO D’ORO


A Cervesaria Vaso D’Oro está localizada em Barceloneta, na Calla Balboa - 7. Está aberta todos os dias, das 9h às 0h00.

Este é um bar tradicional de tapas da Catalunha, com uma decoração clássica onde se destacam a madeira e os azulejos decorativos, quase que em forma de navio, com os camareros impecavelmente vestidos de marinheiros. A barra é longa, mas sempre muito concorrida, e o melhor é mesmo esperar pela vez, porque qualquer tempo aqui não é dado como mal empregue. A pequena dimensão e a morfologia estreita promovem uma atmosfera simpática e sociável, onde o tempo passa a correr.

O Vaso D’Oro tem uma boa frequência, acomodando no seu espaço maioritariamente locais e alguns estrangeiros de visita regular à cidade.

Tem a fama de ter a melhor cerveja da cidade, de produção artesanal feita na casa. Aqui não se tiram as cervejas de uma forma tradicional, é de boca aberta com o copo pousado a ver-se a espuma a crescer. Depois vai o camarero com uma espátula de madeira fazer uma raspagem na boca do copo seguida de mais um curto preenchimento, e com um orgulho catalão muito característico o pousa com força em cima da barra.

A combinação de uma cerveja fantástica e bem gelada e de boas tapas, torna este lugar num porto seguro, excepcional e autentico, onde custa levantar para ir embora.

EPICURO ME CONFESSO…*****

Do que conheço de Barcelona, o Vaso D’Oro tem a minha preferência. Apesar de o espaço ser pequeno e sempre com muita gente, tudo é incrivelmente bom. A começar pelo ambiente, passando pelos camareros que falam alto mas são de uma atenção e profissionalismo irrepreensível, até à matéria-prima que é digna de recordação. A cerveja da casa é memorável e todas as tapas óptimas.

Levando em conta que não estamos a falar de um Restaurante e que é difícil estar em Barcelona e não passar com regularidade pelo Vaso D’Oro, a visita aqui tem os seus custos, mas no final nunca o investimento é dado como mal empregue.

Patatas Bravas, Patatas Aliñadas, Pimentos Padron, Solomillo com Foi (partido em bocados) e atún partilhado por duas pessoas ao que se somaram as cervejas, e a dolorosa bateu nos €40.

SITE: não tem


publicado por Epicurista Portuense às 20:07
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Antonio José Barros
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