Sábado, 14 de Julho de 2012

PORTO> REGIONAL> TRIPAS> Adega CORREIA

 

 

 

A Adega Correia mora na Rua de Barbosa de Castro - 74, rodeada pelo Palácio da Justiça e pelo Jardim da Cordoaria. Aberta todos os dias, é ao almoço a altura de maior labuta, até porque à noite fecha cedo porque a idade já cansa.

 

De porta aberta há mais de 40 anos e quase a caminho do cinquentenário, vieram de terras de Resende os anfitriões José Correia e sua mulher Filomena. Enquanto ela patroneia com arte e sabedoria a cozinha, ele gere com humildade e atenção a sala.

 

Esta é uma casa muito típica, de decoração antiga e rústica, que deixa a quem lá entra uma imagem de um Portugal tradicional do antigamente. A sala é pequena, com pouco mais de meia dúzia de mesas, mas que fazem muito bem o seu trabalho.

 

Casa feita por pratos do dia, que vão variando conforme a vontade de D. Filomena, encontrado-se à mesa uns bolinhos de bacalhau com arroz de feijão ou ensopado de vitela banhado em boa molhenga, excepto à quinta-feira, que nesta casa é o dia da “missa” semanal, com as mais famosas tripas do nosso burgo a saírem a fumegar da cozinha rumo à mesa.

 

Mas que ninguém pense que à 5ª vai passar a tarde toda sentado à mesa, porque não havendo pressa na degustação, terminada a jornada à que dar a vez porque estão sempre muitos senhores à espera. Se alguém se esquece, o amigo José está atento à navegação, lembrando, com gentileza e cuidado, que há gente lá fora para as tripas.

 

EPICURISTA ME CONFESSO*****

 

Há tripas muito boas, mas como as trabalhadas com a arte da D. Filomena da Casa Correia não há. São superiores, apesar da matéria-prima base ser semelhante a algumas outras de excelente qualidade do nosso burgo, o produto final é caso sério de registo na memória de um “bom garfo”.

 

Sempre com três oferendas para a mesa, uma com o arroz, a outra comporta as tripas e o feijão, a que se junta ainda um outro barro com as carnes mergulhadas no molho das tripas. Depois, casam-se no mesmo prato do comensal, produzindo uma harmonia de sabores e sensações ao palato fora do comum tripeiro.  

 

A acompanhar o vinho tinto da casa, honesto mas que cai bem, e a que o tradicional jarro soma à vista mais um valor ao gosto final.

 

A conta é feita ainda à merceeiro de outras épocas, num bloco de linhas onde é escrito com alinhamento vertical o numerário de cada parcela, facilitando assim a soma final. O valor é em conta e muito barato para a satisfação do comensal: 3 bocas à mesa, que comeram dose e meia de tripas, duas jarras de vinho da casa e 3 cafés, deu 33€, ou seja, 11€ por cabeça. Para referencia, a dose de tripas, que é para duas pessoas, ronda os 13,50€.

 

Para minha tristeza, a 'gerência' já entradota já se sente cansada e resolveu postar o 'passa-se' na montra. Até la continua aberta e é aproveitar para ir degustando até ao final dos seus dias as melhores tripas do burgo, desde que a cozinheira se levante com saúde. Esta será certamente uma daquelas histórias felizes da nossa gastronomia que vai acabar com os seus protagonistas… Por isso, muita “saudinha”, porque bem precisam para largarem também essa ideia de passar tão nobre e histórico canto deste nosso burgo. Bem hajam e até 5ª!

 

Nota - Não tem multibanco, porque antigamente também não havia dessas coisas…


publicado por Epicurista Portuense às 14:28
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Quarta-feira, 20 de Junho de 2012

PORTO> Luso-Brasileiro> Restaurante FEITO EM CASA

 

O Restaurante Feito em Casa mora na Rua Cedofeita, 688. Aberto quase todos os dias, das 12h-15h e das 19h-24h, faz do domingo o justo dia do descanso.

 

Sala estreita mas comprida, dá lugar a cerca de 60 comensais à mesa. O ambiente é descontraído e animado, alinhado com a habitual frequência de jovens universitários ou em início de carreira. Muitas vezes grupos de amigos assentam arrais nesta casa, e não são raras as vezes que terminam a refeição com o direito à assinatura de um “Prato d’Honra”.

 

A oferta não é muito variada, mas menos ainda são normalmente os pedidos que a “malta” frequentadora faz à cozinha: picanha ou feijoada à brasileira.

 

Entre os líquidos, são concorridas as honestas Caipirinha, Caipiroska ou Caipiríssima.

 

Para quem gosta de fumar, esta casa é uma casa de liberdade, pelo que é só puxar do cigarro e acender.

 

Epicurista me confesso***

 

Vem dos grandes tempos da Faculdade de Engenharia na Rua dos Bragas, o hábito de sentar os pés debaixo destas mesas. Entre alegres tainada e praxes, já nessa altura este Feito em Casa escrevia a sua história de mão dada com a Academia, que então morava em Cedofeita.

 

Agora com 20 anos de estudo, já é um dux da cozinha, e que continua, como desde o seu início, honesto e despretensioso, a servir os pratos mãe da
sua feitoria: a Picanha e a Feijoada à Brasileira.

 

Confesso que nunca fui muito fã da picanha nestas bandas, mas quanto à Feijoada à Brasileira gosto muito e, na verdade, não me vem à memória outra melhor.

 

Os preços são muito em conta: Feijoada à Brasileira (7€) e para dois com guarnição extra (9€); meia dose de picanha (7,5€) e a dose para dois (12€); banana frita (2€); sangria tinta – 1 litro (5,5€). O resultado final é normalmente contido, a rondar os 10€ por cabeça, a menos que os pedidos de caipirinhas sejam mais repetidos.

 

Enfim, uma boa escolha para quem gosta de uma boa Feijoada à Brasileira, com amigos à volta da mesa, e não quer fazer grandes investimentos. Não é também uma má opção para quem quer fazer um warm-up antes da incursão pela movida da Baixa.

 

SITE: http://www.feitoemcasa.com


publicado por Epicurista Portuense às 18:42
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Quinta-feira, 14 de Junho de 2012

O Porto nas bocas do mundo...

 

"Oporto está de moda. La ciudad del Duero fascina a propios y extraños con su desbordante entusiasmo por el arte y el diseño, por su devoción por la fiesta y la buena comida, y por la extraordinaria simpatía de sus habitantes. Oporto, que ha sabido reinventarse a base de pasión y creatividad, es, sin duda, el destino ineludible en 2012. Te invitamos a que la pongas ya en tu agenda con este recorrido de 48 horas."

 

http://www.traveler.es/viajes/viajes-urbanos/articulos/48-horas-en-oporto/1772

 

 

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publicado por Epicurista Portuense às 02:21
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Domingo, 27 de Maio de 2012

O Porto está na moda...

 

"2012 es sin duda el año de Oporto. Candidata como Mejor Ciudad en los Design Awards de la revista Wallpaper, considerada como el cuarto mejor destino por la Lonely Planet, hasta el New York Times se ha rendido a los pies de la vieja ciudad del Duero para destacar con encendido entusiasmo su efervescencia cultural y los ritmos de una noche vibrante e inacabable."

 

http://www.traveler.es/viajes/rankings/articulos/los-nueve-sitios-que-arrasan-en-oporto/1693

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publicado por Epicurista Portuense às 14:52
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

PORTO> CONFEITARIAS> Império

 

A Confeitaria Imperio mora na Rua Santa Catarina – 149, entre o Majestic e o Grande Hotel do Porto, mesmo no coração da baixa portuense.

 

Esta conhecida confeitaria do burgo é feita de uma arquitectura estreita mas comprida, com um balcão grande corrido e mesas ao fundo, numa organização espacial vulgar para uma casa deste tipo de arte. À porta, uma pequena mas muito agradável esplanada, com meia dúzias de mesas, que
no caso de estarmos afortunados e conseguirmos um lugar, são garantia de um momento bem passado.

 

Os serviçais sempre simpáticos e atenciosos, dão boa vazão à clientela sempre em grande número.

 

EPICURISTA ME CONFESSO****

 

A Império tem os melhores rissóis de vitela que conheço do nosso burgo. São a satisfação da gula e para parar é um caso sério. A sua saída é grande, pelo que estão sempre a chegar ao balcão renovadas travessas de matéria-prima quentinha.

 

Com uma fritura no ponto, sem excessos de gordura, tem uma vitela de qualidade – não restos de carne que é picada - tenra e sobre o pastoso… são de comer e chorar por mais!

 

Para complementar a oferta nesta arte, os croquetes deliciosos apesar de não bater os do Gambrinus, as coxinhas de galinha quando quentes boas e o parente pobre ao meu palato são mesmo os rissóis de camarão.

 

E que tal uma visita à baixa e aproveitar para assentar arrais em plena Santa Catarina, com um pratinhos dos melhores rissóis de vitela “do mundo”?

Memorável… e bem hajam assim por muitos e bons anos!

 


publicado por Epicurista Portuense às 00:19
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2012

PORTO> TRADICIONAL> Restaurante Taberna Regional DOM CASTRO

 
O Restaurante Taberna Regional Dom Castro mora no cimo da Rua do Bonjardim – 1078, já próximo do Marques. Encerra portas aos domingos e feriados, enquanto a cozinha fecha oficialmente a partir das 21h30, mas por vezes permite prolongamento.

 

Casa estreita mas comprida, dividida entre duas pequenas salas. Decoração simples e rústica, onde salta à vista um grande balcão que alberga a cozinha, completamente aberta para a sala. As mesas têm bancos de madeira corridos, que somam à envolvente o conceito de cozinha de aldeia, onde não falta um pequeno pipo do vinho.

 

A diversidade gastronómica não é vasta, mas é bem trabalhada e a partir de boa matéria-prima. Para a mesa dos comensais pode chegar como
entradas o chouriço e morcela caseira, o presunto, umas moelas, a tripa enfarinhada, pataniscas ou jaquinzinhos. Se a opção for pela carne, há o cozido à portuguesa, o cabrito assado ou a grelhada mista de picanha com o porco preto. Do mar, o arroz de tamboril, o bacalhau à Dom Castro (gratinado com maionese), filetes de pescada ou umas pataniscas de bacalhau com arroz de feijão vermelho. Nos doces, que são feitos em casa, vão do leite-creme à mousse de chocolate ou de manga, passando por um tradicional pudim.

 

EPICURISTA ME CONFESSO***

 

O Dom Castro tem algumas particularidades que o caraterizam e me fazem lá voltar. E posso começar desde logo mesmo antes de entrar. A porta está sempre fechada, pelo que o toque na campainha é obrigatório. E este ritual é uma delícia, porque nos vêm abrir a porta como em casa de um amigo estivéssemos a entrar.

 

Sentados à mesa, a morfologia dos bancos e da mesa transmitem desde logo uma sensação de estar prestes a uma confraternização à volta de um petisco e na companhia de amigos.

 

Depois o Pedro (Torres), figura incontornável do Dom Castro e a sua grande mais-valia, que é ao mesmo tempo o dono da casa, o almirante da cozinha e o timoneiro da sala. Não é à primeira vista a simpatia em pessoa, mas conquista-se com facilidade, tornando-se ao longo da refeição um bom anfitrião.

 

Estive lá esta semana, ao jantar, com uma grupeta de 12 amigos, e onde o Dom Castro também se enquadra perfeitamente neste tipo mística. Abrimos as hostilidades com chouriço assado e alheira, assadas na mesa em taça de barro, ao que se juntaram as pataniscas petinga e a melhor a melhor tripa enfarinhada que alguma vez comi. A seguir os comensais foram servidos por uma boa grelhada mista de picanha com o porco preto, acompanhada de feijão preto, arroz e batata frita. A acompanhar, tinto e branco, da casa, muito honesto e bebedor. No final ninguém quis adocicar a boca, pelo que fica o registo desta experiencia para uma próxima vez…

 

A conta, muito em conta, e um jantar destes onde nada faltou ficou em 12€ por “cabeça”, o que em tempos de “troika” se recomenda.

 

Apesar do cartão amarelo do Pedro por termos marcado mesa para às 21h30 e só chegamos às 22h, não houve um olhar para o relógio na hora de
abandono deste barco, pelo contrário, até honras de despedida tivemos… Bem hajas Pedro!


publicado por Epicurista Portuense às 00:38
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Quinta-feira, 29 de Março de 2012

PORTO> BAIXA> TASQUINHOS> Adega O BURAQUINHO

 

 

 

Este Buraquinho mora junto ao coração da baixa portuense, entre as afamadas Casa Guedes e a Queijaria Amaral, na Praça dos Poveiros – 33. Aberto de 2ª a Sábado, entre as 10h30 e as 20h, fecha ao domingo para descanso da família Sousa.

 

De porta aberta desde 1927, e com um nome que muito bem apadrinha a geografia desta cave em forma de buraco, esta casa familiar de gentes de Amarante vai na segunda geração e a caminho da terceira. Timoneada pelo Sr. Artur Sousa, tem como ajudante de campo atrás do balcão o filho e na cozinha a mulher D. Ana Augusta.

 

A oferta é variada, quase toda pronta a ser servida. Das papas de sarrabulho ao caldo verde, passando pelos pratinhos de bucho, chispe, língua estufada, orelheira, morcelas, tripas fritas, rojões, pernil, às sandes dos mesmos, ao lado está obrigatoriamente o vinho da pipa a acompanhar.

 

A sala é de uma típica tasquinha, com 2 mesas, 1 barra com 5 lugares sentados e um balcão corrido para gastrónomos pedestres.

 

EPICURISTA ME CONFESSO***

 

Esta é realmente uma típica tasca do antigamente, um Porto profundo, com ares de outras épocas apesar de refrescada. Os seus 85 anos estão lá, assim como a paixão por esta arte do Sr. Artur, que praticamente nasceu atrás daquele balcão.

 

Com um ambiente muito popular, onde o convívio de muitos à volta de um petisco regado com um palhete predomina, sente-se aqui o peso de um estrato de sociedade envelhecido e abandonado, que mata as mágoas nesta cave. Na meia hora que lá passei hoje, vi desde uma velhota a pedir para lhe pagarem uma sopa a um desfavorecido que comeu por conta do que vai receber no final do mês. Por isso, passar por aqui, é também uma lição de vida e de contacto com diferentes vivências.

 

Quanto à matéria-prima, comecei com umas papas de sarrabulho, seguidas de uma sandocha de lombo de porco, tudo isto acompanhado por um verde branco, que me avisaram de imediato que por ser directo da pipa não tinha gás. Se as papas estavam fantásticas, talvez das melhores que já comi, o lombo era honesto, ou então, a proximidade da Casa Guedes fez alguma mossa no meu palato. O verde proveniente de Meda, bem turvo e sem vida, era muito fraco, pelo que da próxima vez irei pelo afamado palhete da casa.

 

O investimento foi barato e ficou pelo 4€: papas de sarrabulho (1,30€), Sande de Lombo (1,90), jarrinha de verde (0,80€). No geral, as sopas rodam 1,30€, os pratinhos e as sandes entre 1,40€ e 1,90€.

 

Apesar de castiço, fica longe da qualidade de uma Casa Guedes ou da Gazela, que são verdadeiros templos à sua volta, pelo que a decisão por descer as escadas até este Buraquinho é mais difícil. Mesmo assim vale a visita “de quando em vez”, e para quem gosta de papas de sarrabulho aconselho experimentar.


publicado por Epicurista Portuense às 00:29
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Segunda-feira, 19 de Março de 2012

PORTO> TRADICIONAL> Restaurante O BURACO

Os dois timoneiros do Buraco

 

O Restaurante Buraco mora na baixa portuense, próximo do Mercado do Bolhão, na Rua do Bolhão – 95. Aberto durante todos os dias da semana útil, ao fim-de-semana só à hora de almoço de sábado, porque o restante é reservado ao merecido descanso desta boa gente. Ao jantar não convém chegar depois das 22h30, porque há que começar a preparar o dia seguinte.

 

Esta experiente cozinha serve há mais de 40 anos os comensais cá do burgo, com qualidade e num ambiente familiar. Patroneada pelos simpáticos Sr. Manuel, no andar de cima e, na cave, pelo Sr. Francisco, mais que timoneiros deste barco são bons amigos de uma clientela fiel e dedicada, constituída por muitas famílias e grupos de amigos, que com frequência sentam as pernas debaixo destas mesas.

 

A cozinha é caseira e tradicional portuguesa, com boa matéria-prima e bem confecionada, e que vai do frango pica-no-chão às tripas à moda do porto, de uns simples panados a um arroz de pato, para além de diversas ofertas pescadas do mar como os linguadinhos ou petinga com arroz de feijão ou tomate.

 

EPICURISTA ME CONFESSO****

 

O Buraco é uma verdadeira casa de comida, caseira e familiar, que frequento desde criança. Começa logo pelo simpático e atencioso tratamento na forma de “o menino…” tanto do Sr. Francisco como do Sr. Manuel, ao facto de nunca abrir a carta, visto que basta perguntar o que temos para agradar ao nosso paladar que de pronta resposta recebemos “hoje vai comer isto…”

 

Não costumo ser cliente do almoço, porque este é um bom restaurante para se ir em família ou com amigos, com calma e sossego, pelo que prefiro a escolha pela hora de jantar. E, assim, na sexta-feira cá fiz mais uma visita e fiquei na cave, como na maior parte das vezes, mais pelo hábito do que por outra razão qualquer.

 

“O menino” seguiu a sugestão do Sr. Francisco e foi para as tripas. Até chegar o “manjar dos portuenses”, uns bons rissóis quentes acamaram o meu estomago. Chegadas as tripas à mesa, o simples apontamento de chegarem num tradicional tacho ainda abriu mais o meu apetite. As tripas estavam fantásticas, os enchidos também, e o tempero mesmo no ponto. Mais uma vez confirmam-se com umas das melhores cá do burgo.

 

Para beber escolhi, aliás tal como sempre, os vinhos da casa, que são muito honestos e suaves, começando com uma jarrinha de branco e que se seguiu a do tinto.

 

Para finalizar, trouxe o doce à minha boca através de um bolo de bolacha, que sem ser digno de memória é muito agradável.

 

Como cheguei já a queimar a hora, depois de servido tive a companhia na mesa ao lado do Sr. Francisco e do Sr. Manuel, conforme o meu registo fotográfico o confirma… :)

 

Como um dos restaurantes no Porto com melhor qualidade/serviço/preço, por aqui não se sente a crise, com as salas sempre cheias e sorridentes. O preço de cada prato anda entre os 6€ e os 7€, pelo que a refeição ronda os 10€. A minha conta não foi diferente e um jantar de família com 5 pessoas, com rissóis de entrada, as tripas, sobremesa e cafés ficou por um cálculo de cabeça que se traduziu em 11€ “por bico”.

 

Tal como sempre, um hábito a preservar e para quem não conhece uma boa descoberta a experimentar… Bem hajam!

 


publicado por Epicurista Portuense às 00:09
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Sexta-feira, 9 de Março de 2012

PORTO> RESTAURANTE PORTUCALE


O Restaurante Portucale mora na Rua da Alegria – 598, no 13º andar, num edifício conhecido por Cooperativa dos Pedreiros. Aberto todos os dias, é aconselhável ao jantar chegar antes das 22h30, no caso a mesa não esteja antecipadamente reservada.

Se uma casa de comida viver em tão elevado andar é pouco comum no nosso país, o facto de se localizar numa das zonas mais altas da cidade, permite uma vista panorâmica única sobre a cidade do Porto e Vila Nova de Gaia

A caminho dos 43 anos, mantém intocável o legado deixado por Ernesto de Azevedo, a alma do Portucale durante gerações. O interior é marcado por uma época, com um envolvimento de madeiras e alcatifas, com cadeiras tipo poltronas e candeeiros privativos em cada mesa, numa harmonia que em conjunto com a vidraça transmite um verdadeiro sentimento de requinte glamour de outras épocas, infelizmente cada vez mais perdido na actualidade.

A lista é generosa e diversificada, dividida entre Entradas, Sopas, Pratos de Ovos, Peixes, Carnes, Grelhados, Legumes, Saladas e Sugestões da Cozinha (Portuguesa e Internacional). Nas Entradas encontramos uma Concha de gambas gratinada, Corações de alcachofras com toucinho fumado, Crepes de camarão, Mil folhas de foie gras com trufas... Nas sopas, a de tomate com ovo escalfado, o Gaspacho andaluz…. Nos Peixes, o Bacalhau à marinheiro, o Cherne à mordomo, os Lombos de pescada à moda do chefe… Nas Carnes, o Cabrito estufado à serrana, o Magret de pato com molho de cebola e framboesa, o Bife à Portucale, a Perdiz estufada com castanhas, a Galinha do mato assada com castanhas, o Lombo de boi flamejado, as famosas tripas à moda do Porto… Os Doces e Queijos são vários e passeiam-se de carrinho pela sala.

A carta de vinhos é muito boa, extensa, mas também equilibrada.

EPICURISTA ME CONFESSO*****
Chegado ao 13º andar, abriu-me a porta o chefe de sala, impecavelmente vestido, aliás como a restante tripulação de sala, todos com fatos que parecem feitos à medida, azuis com riscas.

Sentado na poltrona, não sei se pela altitude e vista superior sobre o burgo, é transmitido um sentimento de liberdade e libertação que parece levar à abstração do mundo quotidiano.

Como abertura e para ir entretendo a boca, veio pão (aquecido), tostas, manteigas, bolinhos de bacalhau e croquetes, azeitonas, bola de carne e um pratinho com um chouriço com um toque de pimenta.

Depois, abri com um Gaspacho Andaluz, que à calda de vegetais muito bem trabalhada na cozinha, o comensal adiciona a seu gosto o pimento, tomate, pepino e croûtons.

Seguiu-se um Bife Tártaro com Whisky, confecionado à minha frente pelo empregado de sala, com manifesta arte e sabedoria, que antes de me ser servido foi levado à prova do mestre da cozinha. Volvido da prova, recebeu um pouco mais de pimenta e pronto. A acompanhar as tostas, feitas na hora. O Tártaro estava fantástico, um dos melhores que degustei até hoje, ao ponto de nem sequer ter sido preciso proceder a ajustes ao meu gosto com qualquer dos ingrediente que encontravam a rodear o prato.

Provei também o Chateaubriand com molho de cogumelos, acompanhado por umas batatas e legumes, que estava fabuloso. A carne em sangue de grande qualidade assim como o molho de cogumelos muito bem condimentado. Saliento ainda o apontamento de os cogumelos ficarem num carrinho na sala, sempre quentes e disponíveis durante a refeição, prontos a saciarem a vontade do comensal.

Não consegui fechar a refeição com queijos ou doces, porque apesar de o Portucale ser um restaurante de luxo, o espirito gastronómico não é minimalista, pelo que as dosagens também não.

A conta foi ambiciosa, mas confesso que não me arrependi de qualquer dos euros que investi, porque este tipo de requinte à mesa cada vez é mais raro, a envolvência é soberba, o serviço exemplar e de grande profissionalismo, ao que se soma uma gastronomia de grande qualidade. O jantar para duas pessoas ficou por €87,50: couvert (7€), Gaspacho Andaluz (€5), Bife Tártaro com Whisky (€24), Chateaubriand com cogumelos (€23,50), Quinta do Cotto – Tinto – 2008 (€22), Agua (3€), Cafés (€3).

Considero esta relíquia da gastronomia portuense uma autêntica joia da coroa. Uma verdadeira casa de comida e montra sobre a cidade, que recomendo e acho fundamental fazer parte da nossa história pessoal e de vivências, tendo-se obviamente possibilidade para isso. Espero que nunca caiam numa tendência de modernização do espaço, porque o que está bem e é intemporal não precisa de mudanças.

Bem-haja e obrigado pela grande felicidade que me proporcionou durante mais de 2 horas… Sem hesitação, nota máxima!

SITE: http://www.miradouro-portucale.com/

publicado por Epicurista Portuense às 13:45
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Domingo, 4 de Março de 2012

PORTO> FRANCESINHAS> BUFETE FASE



O Bufete Fase mora nas imediações da Praça do Marquês, na Rua Santa Catarina – 1143. Aberto de segunda a sábado, entre o meio-dia e as 21h30, e com uma pausa entre as 16h e as 18h para descanso das máquinas.
Casa muita afamada cá no burgo entre os fiéis comensais da francesinha, recheada de prémios e menções honrosas, tem construído ao longo de quase 30 anos o seu bom nome na praça, não caindo na tentação de passar do artesanal para o industrial.

A sala tem cerca de 5 mesas e um pequeno balcão onde algumas pessoas se atrevem de pé a degustar a sua francesinha, tem atrás do balcão o seu mestre José Pinto, que trabalha com habitual arte e gosto, porque o produto final não é feito de excesso de pressas. Na sala, a filha, sempre atenciosa e simpática, chega para as encomendas.

EPICURISTA ME CONFESSO****
Não arrisco a ir a este bufete que não seja fora do horário habitual de refeição. No meu caso, o ideal é sentar as pernas debaixo destas mesas por volta das 14h, porque é a forma de chegar, ver e vencer. Nas horas de ponta, é estar com paciência para esperar, que confesso não tenho nenhuma.

Quanto à Francesinha, justiça lhe faz a fama que tem, porque é realmente um dos melhores exemplares que o Porto leva até à mesa. O molho, normal ou picante, é muito bom, mas a minha preferência vai mesmo para a versão mais apetitosa. A matéria-prima é seguramente de grande qualidade, e o produto final tem alguns apontamentos interessantes como, por exemplo, o pão ser torrado e depois barrado com manteiga, antes de ensanduichado.  

Na minha apreciação, só não dou nota máxima porque acho uma falha grave, em casa tão tradicional e de boa matéria-prima, a opção pelas batatas congeladas de saco. Quanto a mim o único aspecto a mudar.

Quanto à conta, honesta. Uma Francesinha, um fino e um café e o valor andou pelos €12.
Portanto, mais uma grande Casa de Comida do Porto, obrigatória no roteiro de qualquer apreciador de francesinha. Bem haja!

publicado por Epicurista Portuense às 23:14
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Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

MATOSINHOS> TRADICIONAL> RESTAURANTE COSTA


O Restaurante Costa mora em Matosinhos, na zona mais rústica e tradicional da Rua Roberto Ivens – 205. Aberto ao almoço e jantar, sem hora exacta de fecho, é melhor só não bater à porta ao domingo, porque é o único dia da semana que não abrem.
Esta é uma típica casa de comida familiar, de porta aberta há mais de 50 anos, que vai na experiente segunda geração. A clientela é na sua maioria amiga e fiel há muitos anos, mas quem entra pela primeira vez nesta sala sente-se de certeza bem neste ambiente tão acolhedor.
A cozinha é tradicional portuguesa, com uma matriz muito caseira, chefiada desde sempre pela viúva do fundador, que tão bom nome deu a esta casa.
O timoneiro desta casa é o Fernando, chamado por muitos de Costa, que não o sendo também não se desfaz. É o genro da grande artesã de comida deste Restaurante, patroneando a sala com muita sabedoria e proximidade.
Tudo o que vem para cima desta mesa é proveniente de boa matéria-prima e confecionado com sabedoria e conservadorismo, mas destacam-se como especialidade o pernil de porco (cozido ou assado), o cozido à portuguesa, o arroz de frango caseiro, a cabeça de pescada, o peixe-galo com açorda de ovas e, na época, o capão.
EPICURISTA ME CONFESSO****
Este é um dos meus poisos favoritos quando estou com a gula a dar horas, mas não sei o que comer para a satisfazer. Nessa altura, pouco tempo perco a pensar e logo telefono ao Fernando a perguntar “hoje o que me dás de jantar?”…
Chegando à porta, estacionamento não é também problema, porque mesmo em frente ao Costa convive um parque de estacionamento privado para os comensais.

Mal nos sentamos, somos logo presenteados com broa e azeitonas, enquanto as pataniscas de bacalhau e as petingas, que completam as entradas habituais, vão para o tacho cozinhar.
Confesso que não sei se a carta de vinhos é grande ou pequena, porque o verde branco e tinto da casa, adquirido pelo Fernando na fonte, é de grande categoria.
Neste último jantar fui no pernil de porco cozido, acompanhado por uns fantásticos legumes, frescos e verdadeiros, ao melhor nível do melhor do que se pode encontrar no nosso burgo. Simplesmente uma dádiva divina na terra.
As sobremesas são passeadas de carrinho até à mesa, e vão das tradicionais rabanadas ao queijo com marmelada.
Quanto aos investimentos por aqui, como nunca vi a lista não os sei precisar, mas sei que pago quase sempre a módica quantia de €15 por cabeça, o que para o produto é manifestamente um bom investimento.
Quanto ao capão, este é também uma referencia por aqui obrigatória. Em dezembro, por altura da sua feira em Freamunde, o Fernando traz cerca de uma centena, que até ao final de Fevereiro já foi todo para a mesa. A minha preferência vai para o Capão à Bordalesa, que é de se comer e chorar por mais. Pena é que para o atacar é preciso pelo menos uma quadrilha à mesa.
Em resumo, uma verdadeira casa de comida portuguesa, de ambiente familiar, que recomendo e aconselho a não perderem mais tempo para a visitar…

publicado por Epicurista Portuense às 23:37
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Sábado, 18 de Fevereiro de 2012

PORTO> BAIXA> CACHORRINHOS> Cervejaria GAZELA




A Cervejaria Gazela mora há mais de 50 anos na Batalha, mesmo ao lado do Teatro São João, na primeira casa da Travessa do Cimo da Vila – 4. Aberto todos os dias da semana, do meio-dia até às 22h30, tem o justo descanso ao fim-de-semana.

Com uma barra de cerca de 20 lugares a toda a volta do altar de trabalho dos seus sábios artesões, não existe mesas neste espaço, apenas mais uma prateleira de fora, que dá apoio a quem em pé vai satisfazendo a gula.

Quem aqui se senta, não precisa de cardápio, porque já sabe para o que vai. O rei da casa é o conhecido Cachorrinho da Batalha, que pode ser complementado com um prego no pão, ou para os que não dispensam à refeição a faca e garfo, o prego em prato.

A Gazela apesar de típica é muito conhecida entre os portuenses, tendo entre os fiéis gente eclética e de todas as idades. À hora de almoço e jantar a casa cheia é a quem mais ordena, mas como quem lá vai é para comer e dar a vez, a espera por o valioso lugar na barra é breve. No resto do dia nunca está às moscas, mas a pressão sobre a produção amaina, e o balcão descansa de tanto entra e sai.

EPICURO ME CONFESSO*****

Gosto de ir à Gazela fora das horas de ponta, o que aconteceu mais uma vez na minha última visita. Cheguei cerca das 15h, e à volta do balcão estavam cerca de 10 pessoas. Perfeito para começar com enorme satisfação esta jornada de degustação.

Ao serviço estavam 2 dos 5 intervenientes que esta casa tem a rodar entre si, que davam conta de todo o trabalho. O senhor Américo, um dos sócios, com mais de 40 anos atrás deste balcão, foi o meu interlocutor.

Pedi um tradicional 1+1, que mais não é que quando sair o primeiro cachorrinho o segundo já esta a caminho, e assim quando terminar o de abertura não é preciso esperar pelo outro porque ele já esta a caminho da barra.

Enquanto ansiosamente esperava pelos “bichinhos”, pedi um príncipe, sempre a estalarem de frescos e com gola de espuma bem desenhada.

Para fechar, pedi um prego em pão, outra das propostas seguras desta casa.

A conta é sempre em conta, e dois cachorros (2,80€ cada), um prego em pão (2,80€) e um príncipe (1,30€) ficaram por uns bem gastos 9,70€.

Estes célebres cachorrinhos da Batalha, que tal como as boas Francesinha, são também já um símbolo da gastronomia portuense.

E vir à Gazela é sempre um acontecimento de boa memória. É que para além dos célebres cachorrinhos, é importante lembrar que para esta barra saem também um dos melhores finos do burgo. Esta combinação é claramente vencedora, pelo que na nossa memória fica sempre registado o “v” de volta… e de preferência rápida…

publicado por Epicurista Portuense às 15:20
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Antonio José Barros
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