Quarta-feira, 2 de Setembro de 2015

CASTELO DO NEIVA > Restaurante Marisqueira SEGREDOS DO MAR

fotografia 1.JPG

fotografia 2.JPG

fotografia 3.JPG

Hoje jantei no Restaurante Segredos do Mar, na Avenida da Praia em Castelo do Neiva, próximo de Viana do Castelo.

 

Foi a primeira vez que assentei arrais nesta típica casa de comida de local piscatório, pelo que não tenho conhecimento aprofundado da arte desta cozinha.

 

No entanto, a experiencia gastronómica foi muito boa e certamente tirei o “bilhete” de volta brevemente.

 

O repasto foi marisco. Começamos com camarão da costa, certamente um dos melhores que algum dia comi, seguido de um magnífico arroz de lavagante, mas quase que me levo escrever o contrario, lavagante com arroz.

 

No final, três amigos à mesa, com esta matéria-prima acompanhada por vários finos e café a rematar, e a “dolorosa” ficou-se por cerca de 30 euros por “cabeça”. Para a labuta que foi e com a qualidade do marisco, traduziu-se num valor muito justo.

 

E como esta é gente de trabalho, é importante salientar que a porta está aberto diariamente, sem tempo para descanso semanal! Bem hajam e um até já!


publicado por Epicurista Portuense às 03:20
link do post | comentar | favorito
Sábado, 9 de Agosto de 2014

AVEIRO > REGIONAL > PEIXE > Restaurante CANTINA BAR DA LOTA

 

 

 A Cantina Bar da Lota mora na Gafanha da Nazaré, mesmo dentro o Porto de Aveiro. Local de fácil acesso e sem grande margem para engano: é seguir na estrada que vai de Aveiro rumo às Praias da Costa Nova e Barra e a meio do caminho, do lado direito aparece-nos uma saída para o Porto de Aveiro. Aqui chegados, é rumar mesmo para dentro da lota.

 

Esta “banca de peixe” está aberta de segunda a sexta-feira, das 7 da matina à meia-noite.

 

A casa não é grande, talvez cerca de 40 lugares, mas suficiente para a matéria-prima que tem em mãos diariamente.

 

As especialidades são uma diversidade de peixes para grelhar, desde a sardinha, robalo, dourada, peixe galo, lulas, chocos, entre outros habitantes marinhos.

 

A garrafeira é curta e simples, desde uns vinhos brancos/verdes/alvarinho que não conhecia, passando por Aveleda e terminando num clássico Planalto.

 

O atendimento é muito simpático e “próximo”, fazendo “a Ligía” esse  bom trabalho de anfitriã.

 

CONFISSÃO****

 

Almoçar com dois bons comensais e fora de “casa”,  quase sempre dá numa boa jornada. E foi o que aconteceu hoje, quando me levaram até ao Porto de Aveiro. É verdade, não foi em frente nem ao lado, foi mesmo lá dentro, em plena lota, junto a redes e cabazes em descanso de marinheiros, o que foi logo um grande princípio.

 

Estamos a falar de um local simples, sem quaisquer pretensões que não servir mais que um magnifico peixe.

 

Com as pernas debaixo da mesa, como tem de ser, e enquanto trabalhavam na brasa os nossos peixes, vieram umas azeitonas e uma boa broa.

 

Começamos com umas sardinhas óptimas, bem gordas  e  assadas. Depois veio o peixe galo assado, que estava uma primeirinha. A fazer companhia no prato umas batatas a murro, pimentos e couves cozidas.

 

Acompanhamos com um Alvarinho honesto, que fez o seu serviço, sem no entanto se destacar, mas que também pouco preocupa os timoneiros desta traineira.

 

Para fechar um gelado de limão feito aqui na casa, e servido dentro de meio limão natural, que fez muito bem o seu serviço de por a trabalhar a glândulas salivares, contrabalançando o trabalho do peixe.

 

Quanto ao investimento, nestas bandas ronda os 15-20 euros por cabeça, o que para peixe fresco desta qualidade e tão bem assado, não é fácil de encontrar em boas praças.

 

Enfim, um Porto a com toda a certeza voltar a navegar por estas coordenadas. Bem hajam!

 

(Telefone: 234 363 599)


publicado por Epicurista Portuense às 02:31
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Domingo, 1 de Junho de 2014

MATOSINHOS > REGIONAL > SARDINHAS > Restaurante Pires

 

 

O Pires mora em Matosinhos, próximo da lota, na pequena e estreita Rua de São Pedro, mesmo atrás da Marisqueira dos Pobres. 

 

A casa é estreita e pequena, com a sala em comprimentos. Mal se entra, cruzamo-nos com o grelhador interior atrás do balcão, que deve ter uma magnífica tiragem, visto que não deixa o cheiro circular.

 

A especialidade é a sardinha, podendo ter às vezes para ajudar a dourada, a cavala ou carapau, entre outros habitantes do mar. Para quem não gosta, ele desenrasca uma febra, mas não é disso que o Pires vive.

 

Por esta banda não há garrafeira, pede-se o vinho da casa, branco ou tinto, maduro ao verde.

 

 

CONFISSÃO***

 

Abri hoje a minha época 2014 das sardinhas. Para esta cerimónia, e tal como de há muitos anos para cá, foi a Matosinhos, ao Pires. Tasquinho com o nome do timoneiro, um antigo pescador que mudou há muito o seu rumo, mas que deste artigo do mar é um especialista.

 

As sardinhas estavam gordinhas e bem assadas, acompanhadas por uma boa salada de tomate e pimento vermelho. Para quem quiser, traz também a batata cozida.

 

Hoje, e ao contrário do costume, fechamos o repasto com uma dourada, muito bem trabalhada na grelha, e com um toque de alho que caiu bem.

                                                                          

Para acompanhar, pedimos vinho branco maduro, obviamente da casa, porque outro não há. Não é espingarda nenhuma, mas quando a sardinha está em forma, com mais facilidade o bebemos.

 

A conta é das que não conta no bolso. Ficou por 10 euros por pessoa, com sardinha, dourada, salada e vinho quanto baste.

 

Esta é uma boa opção para quem quer comer uma boa sardinhada, em ambiente rústico e simples, a muito bom preço. Se não contarmos mais que isto, saímos do Pires com a barriga cheia e contente, e a lembrança de voltar quando de sardinhas se tratar.

 

 

 


publicado por Epicurista Portuense às 02:36
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2013

PORTO > BAIXA > TASQUINHO > Casa de pregos VENHAM MAIS 5

 

A casa dos pregos Venham Mais 5 mora na Rua de Santo Ildefonso - 219, mesmo a chegar à Praça dos Poveiros. A porta está aberta todos os dias, desde o almoço até às 23h.

 

Este espaço está muito bem conseguido, sendo dividido por três áreas diferentes: a da entrada com um balcão, a que se junta uma sala ao fundo e uma esplanada no exterior.

 

Quanto à oferta gastronómica, acredito que tenha várias alternativas, mas confesso que só fiquei a conhecer os pregos e a sobremesa da casa, e também não vi mais nada a sair enquanto estive por lá.

 

EPICURISTA ME CONFESSO****

 

Apesar de ter uma história curta, não mais que meio ano, já tinha ouvido falar por diversas vezes dos pregos “perto do Guedes”. Este sábado à tarde, estava a caminho do Majára para comer um preguinho, mas acabei por dar meia volta e lá fui eu até à baixa.

 

Descobri com facilidade este “moderno tasquinho”, e fiquei logo bem disposto - sou um admirador de “barras” - porque mal entrei apareceu-me um balcão a dar as boas vindas. Mal atraquei, um simpático e atencioso senhor, que depois vim a saber ser o “patrão”, Luís Rodrigues, fez as honras da casa.

 

Pedi o já muito falado prego de lombo com queijo da serra (3,50€). O queijo não é serra, mas um amanteigado tipo serra, o que para ser comido com esta carninha do boi até casa melhor, porque é menos encorpado que o original. A matéria-prima foi trabalhada como gosto, sendo atirada para uma chapa bem quente e, depois,  como se diz na nossa invicta, “bota e vira”, dando ao comensal o “bicho” grelhado por fora e em sangue por dentro. O produto final é realmente muito bom, quer ao palato como a vista, que também come...

 

A acompanhar bebi um magnifico fino da catalã Estrella Damm, muito fresca e viva, que deu num casamento muito feliz.

 

Para terminar comi o bolo da casa de chocolate (2,10€), muito “molhadinho” e lambareiro

 

A conta é muito honesta, valendo o prego (3,5€) e o bolo de chocolate (2,10€).

 

Enfim, partindo de uma fórmula aparentemente fácil, um bom prego acompanhado por uma boa cerveja, este é já um caso de sucesso que vale a pena “usar e abusar”, nem que seja entre faustosos repastos... Bem hajam!


publicado por Epicurista Portuense às 01:27
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
Sexta-feira, 4 de Outubro de 2013

FAMALICÃO > REGIONAL > Restaurante SARA BARRACOA

 

 

O Restaurante Sara, mais conhecido por Sara Barracoa, mora mesmo no centro de Famalicão, na Praça Dona Maria II – 720. É mesmo só estacionar entre as árvores do parque de estacionamento e atravessar a rua. Fecha num dia improvável, o sábado, mas nos restantes  a porta está sempre aberta para nos receber.

 

Dividida entre duas salas, mal se entra nesta verdadeira casa de comida portuguesa, recuamos uns bons 50 anos no espaço e na decoração que nos envolve. Faz mesmo lembrar aquelas antigas cozinhas-salas das quintas, que eram palco de grandes refeições e serões da província.

 

Esta casa, que abriu portas há mais de 170 anos, e continua nas mãos da mesma família, mantém-se num local simples e à vontade, com pequenos pormenores que fazem a diferença, como, por exemplo, um serviço muito familiar ou os guardanapos de pano, como “manda a lei”.

 

A comida muito caseira e em doses fartas, é de grande qualidade e variedade, obedecendo a uma ementa semanal marcada, onde podemos encontrar à mesa uns  bolinhos de bacalhau com arroz do mesmo, pataniscas de bacalhau com arroz branco, filetes de pescada com salada russa, rojões à moda do Minho, vitela assada no forno,feijoada com tripas, cozido... Nos doces mandam o pudim de ovos e o pão-de-ló.

 

O vinho verde da casa, branco ou tinto, muito honesto por sinal, é tirado da torneira de umas pipas que habitam atrás do balcão de serviço.

 

EPICURISTA ME CONFESSO****

 

Considero esta Sara um caso sério de boa comida, descomplexada e sem tiques estatutários, mas que deixa qualquer comensal feliz e de barriga cheia.

 

Sentados a conviver com a outra época, comecei com os bolinhos de bacalhau, sem muita gordura e com um equilíbrio no ponto no casamento que envolveu a dose de bacalhau. Depois passamos para umas magníficas pataniscas de bacalhau, que só por si davam de comer, ao mesmo tempo, aos olhos e ao estômago. Repenicamos também nos rojões, que dão orgulho ao mais vaidoso dos minhotos, acompanhado de uns verdes salteados de bom casamento. Para fechar um pudim de ovos bem lambareiro, daqueles que fazem pesar a consciência quando levantamos as pernas de debaixo da mesa. A acompanhar os talheres de trabalho, bebemos um jarro de verde branco da pipa da casa, que não saiu envergonhado no final do repasto.

 

A conta é simpática, tendo em conta a qualidade e o bom acolhimento, nunca tendo pago um valor que se afaste muito do 15 euros.

 

Fecho a meter inveja, porque amanhã o meu almoço vai ser na Sara... E bem mereço, porque é de boas memórias que construímos as nossas experiencias, e esta é uma e das boas! Bem hajam!


publicado por Epicurista Portuense às 01:00
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

PORTO> TASQUINHO> Adega Regional da Areosa

 

 

A Adega Regional da Areosa mora no Largo Heróis da Pátria - 31, mesmo atrás da rotunda da que lhe dá o nome. Para dar com ela, é só virar na primeira à direita depois da rotunda e depois voltar de novo na seguinte à direita e estamos em frente aos bombeiros. Aqui é só olhar duas ou três portas abaixo e cá estamos.

 

Feita de gente de trabalho, mantém a porta aberta todos os dias, desde as 7 da matina até bater as 8 da noite.

 

Esta adega está repartida por duas salas, onde a da entrada é percorrida por um longo balcão com duas cubas em inox em forma de sentinelas em cada lado e, por trás, uma comum sala de repasto.

 

A oferta é alargada e eclética nos petiscos, só variando das comuns “adversárias” a qualidade da matéria trazida até ao comensal e no homem que a patroneia.

 

EPICURISTA ME CONFESSO****

 

Tal como na maior parte das boas casas de comida do género, o balcão bate aos pontos a sala, quer nos interlocutores como também na arte de “falar” com a matéria-prima. Por isso, é mesmo ficar logo pelo “balneário” e esquecer a tentação de sentar as pernas debaixo da mesa.

 

E neste caso sério de comida petisqueira, abrimos as hostilidades com uma caneca de um grande verde tinto da pipa. Para não o deixar poisar sozinho, veio para o balcão um prato de presunto com dois ovos estrelados para cada comensal, com um pão de daqueles que até sozinho faz a alegria do palato.

 

A esta primeirinha, juntamos umas febras de porco preto cozinhadas no ponto, que não deixou de voltar a pedir aquele pão a acompanhar.

 

Para que não ficássemos pelos “pratos” de carne, jogamos também nuns bolinhos de bacalhau que estavam como se diz “de trás da orelha”.

 

Para fechar em beleza, um queijo da serra, daqueles que escorre mesmo quando está quieto, com uma marmelada bem gulosa a fazer o contraponto.

 

A conta dignifica o fastio, não ficando fora de mão: caneca de verde tinto (2,4€), prato de presunto com ovos estrelados (5€), sande de presunto (2,10€), febras de porco preto (3,90€), queijo da serra com marmelada (4 e tal€),...

 

Enfim, surpresa soberba e digníssima de visita por bons comensais, com um simpático apontamento extra: está completamente fora dos roteiros dos comuns mortais, só frequentada pelo Porto profundo... Um grande bem haja!


publicado por Epicurista Portuense às 01:02
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2013

LISBOA> TASQUINHOS> O Afonso

 

 

O Afonso vive em Lisboa, na Rua da Madalena – 146, mesmo ao lado da sede do CDS. A porta esta aberta todos os dias excepto do domingo, desde manha cedo até cerca das 22h.

 

Começa logo por ser curioso que não se conhece um nome oficial do tipo Adega, Tasco ou Casa de Pasto de qualquer coisa, nem tão pouco na fachada ou no interior existe qualquer referencia de baptismo, apenas o nome oficioso, o do mestre artesão deste local que é o Afonso.

 

O espaço é muito pequeno, de esquina, sem mesas ou qualquer lugar sentado, apenas um balcão e dois parapeitos para os comensais se encostarem.

 

Nesta casa de repasto, temos muitos petiscos, servidos com pão, porque em prato só uma malguinha de sopa. Por aqui se pode picar uns pastéis de bacalhau, pataniscas, filete de peixe ou bacalhau, um queijinho, torresmos, presunto... No tacho são preparadas umas sandes de coirato e a alma desta casa que é a bifana.

 

EPICURISTA ME CONFESSO****

 

O timoneiro desta casa, José Torres de Afonso, homem do norte proveniente do minho, abriu as portas desta casa em ha quase 40 anos. Desde aí construiu esta história de sucesso, e confesso que melhor bifana do que esta nunca me chegou ao estômago.

 

Durante alguns anos fui habitué deste Afonso, e hoje em dia, sempre que passo por Lisboa, tenho de passar por lá para comer duas bifanas e beber uma “imperial”...

 

Mas esta casa é também um símbolo da história da época de Abril, que por estar junto ao largo do Calda, sede do CDS, assistiu a ataques e convulsões sociais, mas também serviu de albergue a fome de muitos ilustres como, por exemplo,  Adelino Amaro da Costa, reconhecido político e fundador do CDS, que muitas vezes neste balcão se encostou a comer uma bifana e a beber um sumol. Já lá vão mais de 33 anos, que este molho ferve neste tacho, pela a mão e o condimento do Afonso...

 

O preço é mesmo muito simpático. Cada “imperial” bem tirada vale €1 e a bifana €1,75...

 

Para quem anda por estas bandas, não perca de modo nenhum esta oportunidade...

 

Só tenho pena que este bom exemplo lisboeta não se mude para o Porto, porque ele tal como nós portuenses, merecemos e muito! Bem Haja Afonso!


publicado por Epicurista Portuense às 01:06
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Segunda-feira, 19 de Novembro de 2012

PORTO> BAIXA> TASQUINHOS> Casa de Pasto GOLFINHO

 

O Golfinho mora em plena Baixa, na Rua de Sá Noronha - 137, mesmo em cima da cosmopolita movida portuense.

 

Sala estreita mas relativamente comprida, em forma de corredor, com mesas do lado esquerdo e um balcão corrido ao longo de toda a sala do lado direito, passa bem o bom espírito tripeiro das nossas típicas casas de pasto.

 

De porta aberta todos os dias, serve a toda à hora e até bater na meia-noite todos os que aparecerem.

 

À cabeça da oferta, a Francesinha do Golfinho, completada por diversos petiscos e pratos do dia. Os preços variam entre os 6-8€ por cozinhado, tanto ao almoço como ao jantar.

 

EPICURISTA PORTUENSE***

 

Já há muito tempo que me tinham falado deste canto da cidade, mas só agora, e porque passei à sua porta sem destino, aproveitei para sentir o sabor à casa.

 

Mal desço as duas escadas de entrada, conheço o almirante desta casa, o simpático Silva. Como o meu rumo não apontava para aqui, tinha apenas uma vaga ideia de já me terem falado bem da francesinha do Golfinho, levantei uma questão inocente e que era se faziam por cá esta arte. A resposta foi pronta e natural, com uma simples pergunta: “No Oceano há água?”....

 

Lá veio para a mesa a “água” desta casa, acompanhada de umas magníficas batatas fritas, garantidamente não despejadas de um saco plástico mas bem cortadas à palha, sem sabor ao óleo da fritura nem com gordura a mais. A Francesinha não me pareceu de estalo, mas faz bem justiça ao nome, mas também confesso que não sou muito fã dela com bife, prefiro a original. No entanto, o molho era bom, sobre o espesso e com picante saboroso.

 

Nas sobremesas, tem fama de trazer para a mesa um bom pudim francês feito entre paredes, mas o meu estômago já não me permitiu...

 

O preço é muito em conta, valendo a Francesinha com batata 7,5€, a que somados 1 fino e um café ficou abaixo de uma nota de 10€.

 

No final tive direito a deixar o meu testemunho no Livro de Honra, onde reparei em testemunhos provenientes de vários cantos do mundo e todos abonatórios... Não tenho dúvidas que ajuda muito a isso o magnifico cicerone que é o homem que está à frente desta casa, como também fica a promessa de voltar brevemente para degustar os restantes petiscos e sugestões diárias do Golfinho, e completar assim a minha ideia sobre este tasquinho da minha cidade.

 

Para quem anda pela Baixa à noite e vai jantar com amigos num espírito à vontade, passe por lá e sinta-se desde logo bem-vindo... Bem-haja mestre Silva!


publicado por Epicurista Portuense às 01:02
link do post | comentar | favorito
Sábado, 14 de Julho de 2012

PORTO> REGIONAL> TRIPAS> Adega CORREIA

 

 

 

A Adega Correia mora na Rua de Barbosa de Castro - 74, rodeada pelo Palácio da Justiça e pelo Jardim da Cordoaria. Aberta todos os dias, é ao almoço a altura de maior labuta, até porque à noite fecha cedo porque a idade já cansa.

 

De porta aberta há mais de 40 anos e quase a caminho do cinquentenário, vieram de terras de Resende os anfitriões José Correia e sua mulher Filomena. Enquanto ela patroneia com arte e sabedoria a cozinha, ele gere com humildade e atenção a sala.

 

Esta é uma casa muito típica, de decoração antiga e rústica, que deixa a quem lá entra uma imagem de um Portugal tradicional do antigamente. A sala é pequena, com pouco mais de meia dúzia de mesas, mas que fazem muito bem o seu trabalho.

 

Casa feita por pratos do dia, que vão variando conforme a vontade de D. Filomena, encontrado-se à mesa uns bolinhos de bacalhau com arroz de feijão ou ensopado de vitela banhado em boa molhenga, excepto à quinta-feira, que nesta casa é o dia da “missa” semanal, com as mais famosas tripas do nosso burgo a saírem a fumegar da cozinha rumo à mesa.

 

Mas que ninguém pense que à 5ª vai passar a tarde toda sentado à mesa, porque não havendo pressa na degustação, terminada a jornada à que dar a vez porque estão sempre muitos senhores à espera. Se alguém se esquece, o amigo José está atento à navegação, lembrando, com gentileza e cuidado, que há gente lá fora para as tripas.

 

EPICURISTA ME CONFESSO*****

 

Há tripas muito boas, mas como as trabalhadas com a arte da D. Filomena da Casa Correia não há. São superiores, apesar da matéria-prima base ser semelhante a algumas outras de excelente qualidade do nosso burgo, o produto final é caso sério de registo na memória de um “bom garfo”.

 

Sempre com três oferendas para a mesa, uma com o arroz, a outra comporta as tripas e o feijão, a que se junta ainda um outro barro com as carnes mergulhadas no molho das tripas. Depois, casam-se no mesmo prato do comensal, produzindo uma harmonia de sabores e sensações ao palato fora do comum tripeiro.  

 

A acompanhar o vinho tinto da casa, honesto mas que cai bem, e a que o tradicional jarro soma à vista mais um valor ao gosto final.

 

A conta é feita ainda à merceeiro de outras épocas, num bloco de linhas onde é escrito com alinhamento vertical o numerário de cada parcela, facilitando assim a soma final. O valor é em conta e muito barato para a satisfação do comensal: 3 bocas à mesa, que comeram dose e meia de tripas, duas jarras de vinho da casa e 3 cafés, deu 33€, ou seja, 11€ por cabeça. Para referencia, a dose de tripas, que é para duas pessoas, ronda os 13,50€.

 

Para minha tristeza, a 'gerência' já entradota já se sente cansada e resolveu postar o 'passa-se' na montra. Até la continua aberta e é aproveitar para ir degustando até ao final dos seus dias as melhores tripas do burgo, desde que a cozinheira se levante com saúde. Esta será certamente uma daquelas histórias felizes da nossa gastronomia que vai acabar com os seus protagonistas… Por isso, muita “saudinha”, porque bem precisam para largarem também essa ideia de passar tão nobre e histórico canto deste nosso burgo. Bem hajam e até 5ª!

 

Nota - Não tem multibanco, porque antigamente também não havia dessas coisas…


publicado por Epicurista Portuense às 14:28
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
Quinta-feira, 29 de Março de 2012

PORTO> BAIXA> TASQUINHOS> Adega O BURAQUINHO

 

 

 

Este Buraquinho mora junto ao coração da baixa portuense, entre as afamadas Casa Guedes e a Queijaria Amaral, na Praça dos Poveiros – 33. Aberto de 2ª a Sábado, entre as 10h30 e as 20h, fecha ao domingo para descanso da família Sousa.

 

De porta aberta desde 1927, e com um nome que muito bem apadrinha a geografia desta cave em forma de buraco, esta casa familiar de gentes de Amarante vai na segunda geração e a caminho da terceira. Timoneada pelo Sr. Artur Sousa, tem como ajudante de campo atrás do balcão o filho e na cozinha a mulher D. Ana Augusta.

 

A oferta é variada, quase toda pronta a ser servida. Das papas de sarrabulho ao caldo verde, passando pelos pratinhos de bucho, chispe, língua estufada, orelheira, morcelas, tripas fritas, rojões, pernil, às sandes dos mesmos, ao lado está obrigatoriamente o vinho da pipa a acompanhar.

 

A sala é de uma típica tasquinha, com 2 mesas, 1 barra com 5 lugares sentados e um balcão corrido para gastrónomos pedestres.

 

EPICURISTA ME CONFESSO***

 

Esta é realmente uma típica tasca do antigamente, um Porto profundo, com ares de outras épocas apesar de refrescada. Os seus 85 anos estão lá, assim como a paixão por esta arte do Sr. Artur, que praticamente nasceu atrás daquele balcão.

 

Com um ambiente muito popular, onde o convívio de muitos à volta de um petisco regado com um palhete predomina, sente-se aqui o peso de um estrato de sociedade envelhecido e abandonado, que mata as mágoas nesta cave. Na meia hora que lá passei hoje, vi desde uma velhota a pedir para lhe pagarem uma sopa a um desfavorecido que comeu por conta do que vai receber no final do mês. Por isso, passar por aqui, é também uma lição de vida e de contacto com diferentes vivências.

 

Quanto à matéria-prima, comecei com umas papas de sarrabulho, seguidas de uma sandocha de lombo de porco, tudo isto acompanhado por um verde branco, que me avisaram de imediato que por ser directo da pipa não tinha gás. Se as papas estavam fantásticas, talvez das melhores que já comi, o lombo era honesto, ou então, a proximidade da Casa Guedes fez alguma mossa no meu palato. O verde proveniente de Meda, bem turvo e sem vida, era muito fraco, pelo que da próxima vez irei pelo afamado palhete da casa.

 

O investimento foi barato e ficou pelo 4€: papas de sarrabulho (1,30€), Sande de Lombo (1,90), jarrinha de verde (0,80€). No geral, as sopas rodam 1,30€, os pratinhos e as sandes entre 1,40€ e 1,90€.

 

Apesar de castiço, fica longe da qualidade de uma Casa Guedes ou da Gazela, que são verdadeiros templos à sua volta, pelo que a decisão por descer as escadas até este Buraquinho é mais difícil. Mesmo assim vale a visita “de quando em vez”, e para quem gosta de papas de sarrabulho aconselho experimentar.


publicado por Epicurista Portuense às 00:29
link do post | comentar | favorito
Sábado, 18 de Fevereiro de 2012

PORTO> BAIXA> CACHORRINHOS> Cervejaria GAZELA




A Cervejaria Gazela mora há mais de 50 anos na Batalha, mesmo ao lado do Teatro São João, na primeira casa da Travessa do Cimo da Vila – 4. Aberto todos os dias da semana, do meio-dia até às 22h30, tem o justo descanso ao fim-de-semana.

Com uma barra de cerca de 20 lugares a toda a volta do altar de trabalho dos seus sábios artesões, não existe mesas neste espaço, apenas mais uma prateleira de fora, que dá apoio a quem em pé vai satisfazendo a gula.

Quem aqui se senta, não precisa de cardápio, porque já sabe para o que vai. O rei da casa é o conhecido Cachorrinho da Batalha, que pode ser complementado com um prego no pão, ou para os que não dispensam à refeição a faca e garfo, o prego em prato.

A Gazela apesar de típica é muito conhecida entre os portuenses, tendo entre os fiéis gente eclética e de todas as idades. À hora de almoço e jantar a casa cheia é a quem mais ordena, mas como quem lá vai é para comer e dar a vez, a espera por o valioso lugar na barra é breve. No resto do dia nunca está às moscas, mas a pressão sobre a produção amaina, e o balcão descansa de tanto entra e sai.

EPICURO ME CONFESSO*****

Gosto de ir à Gazela fora das horas de ponta, o que aconteceu mais uma vez na minha última visita. Cheguei cerca das 15h, e à volta do balcão estavam cerca de 10 pessoas. Perfeito para começar com enorme satisfação esta jornada de degustação.

Ao serviço estavam 2 dos 5 intervenientes que esta casa tem a rodar entre si, que davam conta de todo o trabalho. O senhor Américo, um dos sócios, com mais de 40 anos atrás deste balcão, foi o meu interlocutor.

Pedi um tradicional 1+1, que mais não é que quando sair o primeiro cachorrinho o segundo já esta a caminho, e assim quando terminar o de abertura não é preciso esperar pelo outro porque ele já esta a caminho da barra.

Enquanto ansiosamente esperava pelos “bichinhos”, pedi um príncipe, sempre a estalarem de frescos e com gola de espuma bem desenhada.

Para fechar, pedi um prego em pão, outra das propostas seguras desta casa.

A conta é sempre em conta, e dois cachorros (2,80€ cada), um prego em pão (2,80€) e um príncipe (1,30€) ficaram por uns bem gastos 9,70€.

Estes célebres cachorrinhos da Batalha, que tal como as boas Francesinha, são também já um símbolo da gastronomia portuense.

E vir à Gazela é sempre um acontecimento de boa memória. É que para além dos célebres cachorrinhos, é importante lembrar que para esta barra saem também um dos melhores finos do burgo. Esta combinação é claramente vencedora, pelo que na nossa memória fica sempre registado o “v” de volta… e de preferência rápida…


publicado por Epicurista Portuense às 15:20
link do post | comentar | favorito
Sábado, 11 de Fevereiro de 2012

PORTO> BAIXA> TASQUINHOS> Casa Guedes




O Snack-Bar Guedes, mais conhecido por Casa Guedes mora na Praça dos Poveiros - 130, em plena Baixa.
O Guedes foi tomado pelos irmãos Correia de Baião, César e Manuel ao balcão e suas mulheres na cozinha, há 23 anos, mantendo esta casa de grande tradição cá do burgo, de frequência eclética na idade e interclassista nos ofícios.

O espaço é pequeno mas acolhedor, com quatro mesas e cinco lugares na barra, mais o “santuário” que alberga o pernil em cima do balcão.
Os Correia oferecem aos seus comensais diversas sensações divinas ao paladar, como a suas conhecidas Sandes de Pernil, sandes de porco preto e um queijo da serra exclusivo da casa, para além de refeições diárias ao almoço, feitas à moda antiga, como o arroz de cabidela, vitela assada, bacalhau à braga ou à Gomes de Sá.

EPICURO ME CONFESSO****
Tinha pouco tempo para almoçar, não mais que meia-hora, pelo que decidi por uma passagem pela “Guedes”, sempre local de boa memória qualquer hora do dia.
Cheguei com pouca fome, mas no final do primeiro round com a sandes de pernil, que a mastiguei mais com os lábios do que com os dentes, a gula venceu o estômago e tive de lhe dar mais trabalho.

O pernil óptimo, muito tenro e apetitoso, com picante no ponto, a sair por fora de um pão de mistura aquecido. Antes de ser emparelhado, um apontamento digno de referência, o de passar ainda pelo molho.

A acompanhar um verde da casa, proveniente de Baião, leve com 10,5% e cor ainda turva. Pedi um copo, mas deixou-me também a garrafa. Quando pedi o segundo, disse-me simpaticamente que “faça o favor de se servir que vai ver que até lhe sabe melhor”… E soube mesmo.

Para terminar em beleza, outro clássico da “Guedes”, o queijo com doce de abóbora feito lá, que é como se diz “de comer e chorar por mais”. O queijo pode ser da serra, que orgulhosamente refere “Fabrico Especial para a Casa Guedes – Celorico da Beira” ou mais mundano o que Quinta de Arcas.
A registadora à antiga, processo uns justos 10,60€, por 2 sandes de pernil (2,50€ cada), 2 flutes de vinho verde da casa (1€ cada), o queijo de Arcas com doce de abóbora (3€) e um café (0,60€).

Enfim, tudo o que deixa boa memória deve ser recordado, pelo que a próxima visita a esta verdadeira Casa de Comida deve ser muito em breve…


publicado por Epicurista Portuense às 18:15
link do post | comentar | favorito

Antonio José Barros
Um Blog de prazeres profundos, mesmo que por vezes muito simples...

Pesquisa

 

Tags

todas as tags

Posts recentes

CASTELO DO NEIVA > Restau...

AVEIRO > REGIONAL > PEIXE...

MATOSINHOS > REGIONAL > S...

PORTO > BAIXA > TASQUINHO...

FAMALICÃO > REGIONAL > Re...

PORTO> TASQUINHO> Adega R...

LISBOA> TASQUINHOS> O Afo...

PORTO> BAIXA> TASQUINHOS>...

PORTO> REGIONAL> TRIPAS> ...

PORTO> BAIXA> TASQUINHOS>...

Subscrever feeds